Polícia Federal apura 753 casos de crimes eleitorais a menos de três meses das eleições

Com as eleições se aproximando, a Polícia Federal investiga 753 casos de crimes eleitorais, com a maioria envolvendo falsidade ideológica e compra de votos. O [...]

A poucos meses das eleições, a Polícia Federal (PF) se depara com um cenário alarmante ao investigar 753 ocorrências de crimes eleitorais, que foram registradas entre janeiro e julho deste ano. Os tipos de crimes mais frequentes incluem falsidade ideológica, caixa dois, inscrição fraudulenta de eleitores e compra de votos. A média de quase quatro casos por dia reflete uma crescente preocupação com a integridade do processo eleitoral.

As investigações em questão consistem em inquéritos policiais que visam reunir evidências suficientes para determinar a possibilidade de indiciamento ou arquivamento. Durante este período, a Polícia Civil também registrou dois Termos Circunstanciados, que se referem a infrações de menor potencial ofensivo, enquanto outros oito casos envolveram suspeitos que se dirigiram à Polícia Federal após a constatação de irregularidades.

As regiões do Ceará e do Rio de Janeiro se destacam no número de investigações, com 81 casos cada. O Maranhão segue em terceiro lugar, com 79 ocorrências. Por outro lado, estados como Acre, com nenhum caso, e o Distrito Federal, com apenas dois registros, apresentam números bem inferiores, enquanto Roraima contabiliza seis investigações.

Embora a PF não forneça detalhes específicos sobre os inquéritos em andamento, decisões da Justiça Eleitoral em 2022 evidenciam alguns casos notáveis. Um deles envolve o suplente de deputado federal Heitor Freire, que teve seu diploma cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará devido a irregularidades no uso de recursos públicos de campanha. O Ministério Público Federal aponta que Freire não conseguiu justificar a utilização de aproximadamente R$ 618 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o que representa mais de 60% do total recebido para sua campanha.

Heitor Freire se manifestou nas redes sociais, afirmando ter a “consciência tranquila” sobre sua atuação e manifestou serenidade diante da decisão judicial. Outro caso significativo foi o do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que foi condenado por abuso de poder político e econômico, além do uso irregular de recursos públicos e a implementação de programas sociais com fins eleitorais durante as eleições de 2022. A defesa de Castro nega as irregularidades e afirma que suas ações não violaram a legislação.

Além disso, o Ministério Público Estadual indicou que a Ceperj foi manipulada para fins eleitorais, com um aumento notável no orçamento, a criação de programas sociais sem respaldo legal e a manutenção de uma folha de pagamento secreta que incluiu pelo menos 18 mil contratações irregulares, sem concurso público.

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