A Justiça determinou a prisão preventiva de uma médica-veterinária de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal, após uma discussão em sua residência no bairro Santa Luzia, em Campo Grande. O incidente ocorreu na manhã de segunda-feira (22) e resultou em queimaduras que atingiram 30% do corpo da vítima, que se encontra intubada no Hospital do Proncor.
Durante seu interrogatório, a médica negou ter a intenção de ferir o companheiro, afirmando que seu objetivo era apenas assustá-lo. O episódio foi presenciado pelos filhos do casal, de 9 e 22 anos. Na audiência de custódia, realizada nesta terça-feira (23) no Fórum Heitor Medeiros, o juiz Luiz Felipe Medeiros Vieira destacou que existem indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva.
O magistrado mencionou a gravidade das circunstâncias do caso, mesmo considerando que a mulher possui condições favoráveis, como residência fixa e trabalho regular. Em virtude dos fatos apresentados, a prisão preventiva foi decretada pelo Poder Judiciário. O caso está sendo investigado sob a classificação de "homicídio qualificado com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso, na forma tentada".
Em seu depoimento, a médica-veterinária relatou que a discussão entre o casal girava em torno de uma suposta traição do marido, que negava as acusações. Ela explicou que, após cochilar, decidiu retomar a conversa sobre o assunto, o que levou a uma nova discussão. Para pressioná-lo a confessar a verdade, a mulher alegou ter jogado álcool de limpeza na mochila do marido, mas negou ter ateado fogo em seu corpo.
Ela expressou arrependimento pela situação e afirmou que não pretendia causar ferimentos. A médica-veterinária mencionou que estava enfrentando problemas de saúde mental, incluindo depressão e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), e que estava sem tomar os medicamentos adequados há cerca de 15 a 20 dias.
Esse caso levanta questões sobre a violência doméstica e a saúde mental, evidenciando a necessidade de atenção e suporte a pessoas em situações de crise emocional e relacional.