O ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), fez críticas contundentes na última segunda-feira (22) ao colega André Mendonça, referindo-se a um "erro crasso" em suas declarações sobre a proposta de "delação seletiva" apresentada por um advogado de Daniel Vorcaro. Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, Mendes destacou que tal acordo deve ser estabelecido diretamente entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o investigado, com o devido acompanhamento legal, o que, segundo ele, não ocorreu.
Gilmar Mendes argumentou que, se Mendonça está se envolvendo em diálogos que excluem advogados do processo, isso indica uma falha grave na condução do caso. Sua crítica se intensifica em um contexto onde, recentemente, houve um embate público entre os dois ministros durante o julgamento de medidas cautelares relacionadas à prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
Na mesma ocasião, Mendonça relatou ter rejeitado uma proposta de delação que, segundo ele, era seletiva. Ele mencionou que um advogado do ex-controlador do Banco Master o procurou para discutir uma colaboração, mas que não aceitou esse tipo de negociação. Embora não tenha feito uma crítica direta à condução do processo por Mendonça, Gilmar Mendes enfatizou a importância de seguir uma "métrica" nas investigações para evitar repetição de erros que marcaram a Operação Lava Jato.
Mendes apontou novos episódios que geram preocupação em relação à condução do caso, citando, entre outros, vazamentos e a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que era alvo da investigação. Ele ressaltou que tais elementos levantam alertas sobre a possibilidade de repetir falhas do passado.
Além de suas críticas à atuação de Mendonça, Gilmar Mendes também se manifestou sobre a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre as eleições presidenciais de 2026. Mendes afirmou que a jurisprudência estabelecida por Marques pode ser questionada no STF, destacando que a decisão pode não ser sustentável a longo prazo.
A discussão sobre a pesquisa foi interrompida após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, e a suspensão continua em vigor até que a Corte tome uma nova deliberação sobre o assunto.