A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, argumenta que a empresa contratada para monitorar sua residência falhou ao não notificar a polícia a respeito de uma suposta invasão. Esse argumento foi apresentado durante a primeira audiência do caso relacionado à morte do fiscal tributário Roberto Mazzini, realizada nesta terça-feira.
No total, foram ouvidas seis testemunhas de acusação, e a defesa de Bernal afirmou que os depoimentos revelaram falhas nos protocolos de segurança da empresa. O advogado Ricardo Machado afirmou que a polícia foi acionada apenas quando Bernal chegou ao imóvel. "Se o monitoramento tivesse acionado a polícia antes, muitas coisas poderiam ter sido evitadas", disse.
Um ponto central da defesa é a questão da posse do imóvel, que, segundo o advogado, pertencia a Bernal. Em contrapartida, a defesa da família da vítima sustenta que a propriedade era de Roberto Mazzini. O advogado que representa a família destacou que, ao chegar ao local e encontrar intrusos, Bernal não sabia o que estava acontecendo e, por isso, pegou sua arma para se proteger, embora não a tenha apontado para ninguém.
A defesa de Bernal argumenta que ele apenas se defendia de uma invasão em sua propriedade. "A posse é a propriedade; essa discussão precisa ser esclarecida. Hoje ficou claro que a posse era de Alcides Bernal. Não faz sentido notificar alguém para desocupar um imóvel se essa pessoa não está no local", enfatizou o advogado.
Na audiência No Fórum de Campo Grande, foram ouvidas seis testemunhas indicadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), incluindo o filho da vítima, Gabriel Mazzini, que fez um depoimento comovente, e o chaveiro, considerado uma testemunha crucial. O autor do crime será ouvido na quarta-feira (27), juntamente com outras 12 testemunhas de defesa, e participou da audiência por videochamada a pedido de seus advogados.
O crime ocorreu em uma residência que, embora tenha pertencido a Bernal, foi adquirida em leilão por Mazzini no ano anterior. No dia 24 de março, Roberto Mazzini, acompanhado por um chaveiro, foi ao imóvel para tomar posse, mas acabou sendo atingido por pelo menos dois disparos. O Corpo de Bombeiros foi chamado por volta das 14h e, após 25 minutos de tentativas de reanimação, a vítima não resistiu e faleceu.