Os promotores de justiça Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Iunes Bobadilla Garcia, que atuam no caso do homicídio do fiscal tributário Roberto Mazzini, afirmaram que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, deve continuar preso mesmo após receber alta hospitalar da Santa Casa. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou contra o pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar, protocolado pela defesa de Bernal, que é réu pela morte de Mazzini, ocorrida em 24 de março.
A defesa, composta pelos advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado Filho, argumentou que Bernal se encontra em estado grave e apresentou laudos médicos que indicam uma condição de saúde delicada, incluindo uma doença coronariana multiarterial severa. Os advogados alertaram para o risco iminente de um novo infarto, arritmias e morte súbita, além de transtornos psiquiátricos.
Os promotores justificaram a necessidade da manutenção da prisão preventiva, destacando a gravidade do crime e sua repercussão social. Para eles, não houve novos elementos que justifiquem a alteração do status da prisão de Bernal. O pedido de prisão domiciliar foi fundamentado na alegação de que o presídio militar onde o ex-prefeito estava detido não possui UTI ou médico cardiologista disponível 24 horas.
A defesa argumentou que as condições do presídio são inadequadas para a recuperação de um paciente cardiopata e diabético, afirmando que manter Bernal em uma cela sem a dieta e cuidados adequados equivaleria a uma "antecipação da sentença de morte". Eles solicitam que o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, autorize a transferência do ex-prefeito para sua residência, sob monitoramento eletrônico.
Alcides Bernal está internado na Santa Casa desde julho, após sofrer um infarto. O ex-prefeito tentou diversas vezes obter a liberdade na Justiça, mas todos os pedidos foram negados. Na denúncia, os promotores ressaltam que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido um imóvel de Bernal em um leilão da Caixa Econômica Federal e foi ao local para tomar posse do bem, momento em que o crime ocorreu.
Os promotores qualificam o crime como motivado por vingança, destacando que Bernal não aceitava a perda do imóvel e decidiu tirar a vida de Mazzini, o que caracteriza a gravidade da situação. O caso segue sob análise judicial, enquanto a defesa aguarda uma decisão sobre o pedido de prisão domiciliar.