Dólar atinge R$ 5,20, maior valor desde março, impulsionado por fatores externos

A moeda americana encerrou a sessão de quarta-feira com alta de 0,28%, influenciada pela expectativa de elevação de juros nos Estados Unidos. O real apresentou [...]

O dólar encerrou o dia de quarta-feira, 24, cotado a R$ 5,2020, marcando o maior nível de fechamento em aproximadamente três meses. A alta de 0,28% na moeda americana foi impulsionada por um cenário internacional favorável, especialmente pela expectativa de aumento na taxa de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.

Embora o real não tenha apresentado a pior performance entre as divisas emergentes durante a sessão, analistas indicam que a queda nos preços do petróleo, que está próximo de romper a marca de US$ 70 por barril, diminui a atratividade do “trade do petróleo” em relação à moeda brasileira, resultando em realização de lucros.

O dólar teve uma máxima de R$ 5,2212 pela manhã e, ao final do dia, registrou um aumento de 3,15% em relação ao real apenas em junho, após uma valorização de 1,82% no mês anterior. Desde o início do ano, as perdas acumuladas pelo real, que chegaram a mais de 10% no início de maio, agora estão em 5,23%.

Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, comentou que a desvalorização do real nesta quarta-feira foi provocada pelo fortalecimento global do dólar, sem fatores internos significativos que influenciassem diretamente o câmbio. A movimentação do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom) tem tensionado o câmbio, apontando para uma diminuição na atratividade do carry trade.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, alcançou 101,600 pontos no fim da tarde, após uma máxima de 101,800 pontos, os maiores índices em mais de um ano. Em junho, o Dollar Index já acumula uma valorização de 2,70%.

Além da expectativa de aperto monetário nos EUA, Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, destacou que o real enfrenta desafios devido à rotação de carteiras em favor de países emergentes ligados à Inteligência Artificial (IA), como Coreia do Sul e Taiwan. A diminuição nos preços do petróleo também pode impactar negativamente a balança comercial e a atividade econômica brasileira.

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