O dólar iniciou a semana com uma leve desvalorização no mercado brasileiro, refletindo uma correção após a alta de mais de 2% observada na semana anterior. O movimento de baixa é atribuído a ajustes e realização de lucros, além de um cenário geopolítico menos arriscado, especialmente com as negociações entre Estados Unidos e Irã. Essa semana, a expectativa gira em torno da ata do Comitê de Política Monetária, que será divulgada na terça-feira, 22, e pode trazer um tom mais firme, aliviando a apreensão causada pela comunicação da decisão anterior.
Na sessão desta segunda-feira, 22, o dólar à vista apresentou uma mínima de R$ 5,1241 e fechou com uma queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415. Apesar da desvalorização de hoje, a moeda norte-americana acumula uma alta de 1,96% em junho, após ter registrado uma valorização de 1,82% no mês anterior. A taxa de câmbio, que chegou a ser negociada em torno de R$ 4,90 no início de maio, mostra agora uma perda de 6,33% desde então.
Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, comentou que a intervenção do Banco Central, por meio de uma operação casada de venda de US$ 1 bilhão em moeda à vista e compra da mesma quantia em dólar futuro, pode ter sido uma resposta a uma demanda pontual no mercado à vista. Ele notou que não houve pressão significativa na taxa de juros em dólar, o que sugere uma estabilidade nas operações cambiais locais.
Weigt também observou que o real teve um desempenho distinto em relação a outras divisas emergentes, apresentando desvalorização em comparação com o rand sul-africano (6%), o peso mexicano (5%) e o peso chileno (4,60%). Para ele, a melhora nas pesquisas eleitorais do presidente Lula e a pressão sobre os juros longos nos Estados Unidos podem ter influenciado o cenário atual, embora não vislumbre espaço para uma recuperação do real em relação a essas moedas no curto prazo. A expectativa é que o dólar permaneça próximo de R$ 5,20.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, prevê que o dólar deve oscilar entre R$ 5,15 e R$ 5,16 durante esta semana, com possibilidade de variação entre R$ 5,06 e R$ 5,25. Ele acredita que a operação realizada pelo Banco Central pode ajudar a aliviar um pouco a pressão sobre o real. Tavares destacou que, apesar do carry elevado que favorece a moeda brasileira, a força global do dólar representa um desafio para sua valorização.
Ao final da tarde, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas, apresentava uma alta de 0,18%, situando-se acima dos 101,000 pontos, próximo ao pico da sessão, que foi de 101,076 pontos. O Dollar Index, que já acumula mais de 2% de alta em junho, mostra a tendência de fortalecimento da moeda americana no cenário internacional.