O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca às 13h desta quarta-feira (6) rumo a Washington, onde se encontrará com Donald Trump. Durante a reunião, prevista para esta quinta-feira, os líderes discutirão a segurança do sistema de pagamentos Pix, a exploração de terras raras e o combate ao crime organizado, com foco na cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
O governo brasileiro optou por manter uma discrição incomum a respeito do encontro. Geralmente, as viagens presidenciais são anunciadas com antecedência, especialmente quando envolvem chefes de Estado. Contudo, o Planalto decidiu não divulgar informações sobre o evento até que a própria Casa Branca confirmasse a conversa, temendo que a administração Trump pudesse mudar de ideia e causar constrangimentos a Lula. A confirmação do encontro foi divulgada na noite de terça-feira (5).
Um dos principais pontos a serem abordados na reunião é a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, uma preocupação do governo brasileiro. O Departamento de Estado dos EUA já declarou considerar essas facções como ameaças, o que poderia permitir a implementação de medidas mais rigorosas contra ativos em território americano. O Brasil, no entanto, teme que essa mudança sirva como justificativa para intervenções no país, como ocorreu em outras nações da América Latina.
Outro tema central do encontro será a investigação relacionada à Seção 301 da Lei de Comércio, que foca no Pix, acusando o sistema de pagamento digital de promover concorrência desleal em relação a empresas americanas, especialmente às instituições de cartão de crédito. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o Pix como um “sucesso” e destacou que a preocupação com a investigação é um dos tópicos prioritários da conversa.
Além disso, a negociação para permitir que empresas norte-americanas explorem as reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos também será discutida. Entretanto, a proposta do governo dos Estados Unidos ainda é vista com cautela pelo Brasil.
Ambos os líderes, Lula e Trump, enfrentam desafios em suas respectivas popularidades, com ambos registrando quedas em um ano eleitoral. Uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos revelou que a desaprovação de Trump atingiu 62%, refletindo a insatisfação dos cidadãos com o aumento do custo de vida e o envolvimento dos EUA em conflitos no exterior.