Justiça manda soltar advogado preso pelo Gaeco e devolve fiança de R$ 48,6 mil

Após o STJ reconhecer a ilegalidade da prisão, a 2ª Vara Criminal de Campo Grande determinou a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução do [...]

O juiz Adriano da Rosa Bastos, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, determinou a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução da fiança de R$ 48,6 mil ao advogado Amilton Ferreira de Almeida, de 60 anos. A medida cumpre decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconheceu a ilegalidade da prisão do advogado.

Amilton havia sido preso pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no dia 29 de setembro de 2026, durante a Operação Obstructio, por suspeita de vazar informações sobre a Operação Infiltrados. No dia 19, a prisão foi revogada com fiança e monitoramento eletrônico, mas, no início da noite, o STJ considerou a prisão ilegal e determinou o relaxamento, sem fiança e sem medidas cautelares.

Nesta terça-feira (20), a advogada de defesa, Damares Machado, afirmou que o juiz dará cumprimento à ordem de habeas corpus. "A determinação já foi despachada. Não sei se dará tempo de ser cumprida ainda hoje pelo horário, mas se não for hoje, será amanhã, pela manhã", declarou. A defesa comemorou a decisão. "A gente enxerga que a Justiça está sendo feita. Desde o primeiro momento pautamos pela ilegalidade e agora foi reconhecida que a prisão ilegal", frisou.

Amilton representava a defesa do delegado Hoffman D'Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas apreendidas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). Hoffman se apresentou na quinta-feira, acompanhado de Amilton, e o advogado foi preso dias depois. No último dia 30, um grupo de advogados se reuniu no Fórum Heitor Medeiros para manifestar apoio ao colega de profissão.

A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes. A investigação começou em outubro de 2025. Conforme o documento, as evidências indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis se valia de suas funções para desviar drogas, que eram repassadas ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o 'LK'. A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

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