No cenário internacional, a relação entre Brasil e China ganha destaque após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping. A ligação, realizada na noite de 26 de outubro, manifestou apoio do líder chinês ao presidente brasileiro em sua ‘oposição às interferências externas’. Enquanto no Brasil era noite, Na China já era manhã do dia 27.
Na comunicação, Xi Jinping reconheceu a relevância do Brasil no contexto global, afirmando que a China valoriza o status internacional do país e sua influência. O presidente chinês enfatizou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência, além de contribuir para a manutenção da paz e estabilidade tanto em nível regional quanto mundial.
Lula, por sua vez, expressou durante a conversa a necessidade de acelerar as negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. Este posicionamento se dá em um momento em que o Brasil busca diversificar seus mercados e parcerias comerciais, considerando a pressão tarifária imposta pelos Estados Unidos. Nos últimos dias, o governo americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, uma medida que acompanha um aumento inicial de tributos em 2025, em resposta a condenações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O atual governo brasileiro interpretou as tarifas como uma tentativa dos Estados Unidos de exercer influência política, especialmente em um ano eleitoral. Além disso, o Brasil negou o visto a dois funcionários da administração Trump, que planejavam se reunir com autoridades eleitorais em Brasília, antes das eleições previstas para outubro. Essa ação reflete a crescente tensão entre os países, especialmente em relação à interferência externa nas questões políticas do Brasil.
Apesar das declarações feitas por Xi Jinping, o comunicado oficial sobre a conversa não abordou as 'interferências externas' mencionadas pela agência estatal chinesa Xinhua, levantando questionamentos sobre a transparência nas comunicações entre os dois países. O fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e China pode ser crucial para a estratégia de Lula de assegurar uma maior autonomia econômica e diplomática frente às pressões externas, especialmente vindas do norte da América.