O sebo bovino fundido tem a possibilidade de se tornar o único item oriundo de Mato Grosso do Sul a sofrer uma taxação de 25% por parte dos Estados Unidos. Nos primeiros seis meses de 2026, o estado exportou cerca de 9 mil toneladas desse produto, gerando uma movimentação financeira superior a US$ 9,8 milhões. Este volume representa 2,65% do total das transações comerciais entre o estado e o país norte-americano nesse período.
No dia 15 de março, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) oficializou a nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros, embora tenha isentado mais de 2,1 mil itens. Apesar de a carne bovina e a maioria de seus derivados estarem isentos dessa tarifa, o sebo bovino não é mencionado na lista de exceções. Diante dessa incerteza, representantes do setor em Mato Grosso do Sul estão analisando as possíveis repercussões dessa medida sobre as exportações.
Durante o primeiro semestre de 2026, Mato Grosso do Sul exportou um total de 437,3 mil toneladas para os Estados Unidos, resultando em um volume financeiro de US$ 370,5 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Esses dados foram extraídos do Observatório da Indústria. A maior parte das exportações do estado foi poupada das novas tarifas, sendo que a carne bovina desossada e congelada respondeu por 51,4% do total enviado aos EUA, seguida de ferro-gusa fundido bruto, que representa 20%, e celulose, com 16%.
Os números mostram que, além do sebo bovino, produtos que representam uma fração mínima das exportações, como maiôs e biquínis de banho e ovos sem casca e secos, também estarão sujeitos à nova tarifa de 25%. Esses itens representam menos de 0,1% das exportações totais ao mercado norte-americano.
A implementação do nova tarifaço de 25% é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR, que acusou o governo brasileiro de práticas comerciais consideradas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias que complicam o comércio dos Estados Unidos. Questões como etanol, o sistema PIX e o desmatamento ilegal foram mencionadas entre as razões que fundamentaram essa decisão.
Ainda segundo o Observatório da Indústria, os Estados Unidos se destacam como o segundo maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul. A China ocupa a primeira posição, adquirindo 1,8 milhão de toneladas de produtos, o que corresponde a US$ 1,3 bilhão no mesmo período.