A nova sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos foi classificada como um 'instrumento de barganha' pelo senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul. O anúncio da tarifa, que afeta o Brasil e mais 59 países, foi feito na quinta-feira, 23. Trad destaca que a real motivação por trás da medida é substituir a tarifa de 10%, que era aplicada de forma generalizada, conforme a Seção 122 da legislação comercial dos EUA. Essa seção permite ao presidente impor tarifas temporárias por um período de até 150 dias, prazo que termina nesta sexta-feira, 24.
O senador também enfatiza que a nova tarifa de 12,5% se soma aos 25% que já começaram a valer para produtos brasileiros no dia 22. Trad argumenta que a medida não possui uma justificativa técnico-econômica e é, na verdade, uma decisão política do governo dos EUA, que utiliza as tarifas como uma forma de pressão e barganha. Ele ressalta que as leis e políticas brasileiras estão alinhadas com as melhores práticas internacionais no combate ao trabalho forçado e a condições análogas à escravidão.
A decisão dos Estados Unidos se baseia em investigações iniciadas em julho do ano passado pelo USTR (Escritório do Representante Especial de Comércio). A apuração identificou que os países investigados, incluindo o Brasil, não estão implementando adequadamente proibições relacionadas à importação de produtos feitos com trabalho forçado. No caso do Brasil, cinco produtos foram especificamente mencionados: eletrônicos, baterias de lítio, tabaco, alumínio e algodão.
Dos 60 países que enfrentaram essa investigação, 54 estarão sujeitos à nova tarifa de 12,5%. Os seis países que receberam uma proposta de tarifa de 10% incluem Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão.
Além da nova tarifa, os Estados Unidos já haviam imposto uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, que entrou em vigor em 22 de novembro. O USTR justificou essa medida citando práticas desleais por parte do governo brasileiro, que incluem ordens judiciais relacionadas à remoção de conteúdos das redes sociais e a expansão do sistema de pagamentos Pix. A falta de ações efetivas contra o desmatamento, o crime organizado, o trabalho forçado e a corrupção também foram mencionadas como razões para as tarifas.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 37,7 bilhões para os EUA, enquanto as exportações para a China totalizaram cerca de US$ 99,9 bilhões.