No dia 12 de julho de 1924, uma revolta militar abalou o 10° Regimento de Cavalaria em Bela Vista. Oficiais, incluindo os tenentes Riograndino Kruel, Pedro Martins da Rocha, Jorge Lobo Machado e o médico Umberto Peretti, se uniram à insurreição liderada em São Paulo pelo general Izidoro Dias Lopes. O movimento culminou na prisão do comandante da unidade, o tenente-coronel Péricles de Albuquerque.
Em resposta à revolta, um grupo de sargentos, entre eles David Guimarães, Bernardo Duprat, Eneas de Vasconcelos e Oscar Rodrigues de Araújo, organizou uma contra-revolta. No mesmo dia, durante a revista, eles conseguiram libertar o comandante, que foi reintegrado ao seu cargo. Os oficiais que se revoltaram foram detidos e enviados para a sede da Circunscrição Militar em Campo Grande. Os sargentos que participaram da ação receberam elogios e foram promovidos a segundos tenentes pelo Presidente da República, um ato que teve repercussões negativas para o movimento revolucionário em todo o país.
A revolta não se limitou ao âmbito militar; a administração civil também foi afetada. O intendente geral do município, Militão Loureiro de Almeida, foi deposto pelos rebeldes, que colocaram o vereador Accyndino Sampaio em seu lugar. Sampaio enviou um ofício ao presidente da Câmara Municipal descrevendo os eventos que o levaram a assumir o cargo sob coação. Ele relatou que, junto com o Dr. Armando de Almeida Barros, foi forçado a comparecer à Intendência Municipal, onde o Tenente Lobo Machado exigiu que assinassem uma ata, sob a ameaça de represálias.
A situação refletia a tensão política da época e a fragilidade das instituições no Estado de Mato Grosso. A revolta dos oficiais e a subsequente contra-revolta foram parte de um contexto mais amplo que incluiu a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, um processo que começou no século XIX. Esse período foi marcado por rupturas políticas e sociais que culminaram em eventos significativos, como a Revolução da Paz e a guerra civil paulista de 1932.
Esses acontecimentos históricos são abordados no livro "História da Fundação de Mato Grosso do Sul", escrito pelo jornalista Sergio Cruz. A obra, que celebra os 110 anos de história da região, será lançada em uma edição especial para comemorar o Jubileu de Ouro da lei complementar 31/77, e conta com 314 páginas que detalham os desdobramentos políticos e sociais que moldaram o estado.
A história do sul do Mato Grosso é repleta de episódios que refletem as dinâmicas de poder e resistência, e a revolta de 1924 é um exemplo emblemático dessa luta por controle e autonomia na política local.