Policial homenageado por ética é preso suspeito de desviar drogas em Ponta Porã

NILTON Cesar Sales dos Santos foi homenageado pela Câmara de Ponta Porã e preso 23 dias depois, suspeito de integrar esquema que desviava cocaína apreendida. [...]

O policial civil NILTON Cesar Sales dos Santos, Preso na Operação Infiltrados, havia recebido uma homenagem da Câmara Municipal de Ponta Porã menos de um mês antes da prisão. A sessão solene ocorreu em 1º de setembro, por iniciativa do vereador Marcelino Nunes (PP).

Segundo a Câmara de Ponta Porã, a homenagem buscou reconhecer entidades e representantes da sociedade que se destacaram pelo compromisso, ética e dedicação ao desenvolvimento da cidade. NILTON foi preso pelo Gaeco 23 dias depois, suspeito de participar de um esquema que desviava drogas apreendidas.

A denúncia oferecida à Justiça afirma que NILTON e outros três policiais mantiveram em depósito, ofereceram, remeteram e transportaram parte dos 326 quilos de cocaína apreendidos na ocorrência nº 64/2022/DECCO. A substância consta da Portaria nº 344/98 da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.

A investigação cita ainda mensagem do traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, na qual ele afirma que poderia contar com NILTON para monitorar um depósito de drogas que o grupo pretendia roubar. De acordo com o Gaeco, o esquema consistia na apreensão dos policiais para desviar a droga, que era entregue a traficantes e tinha o lucro dividido entre os integrantes da organização.

Nesta terça-feira (20), o juiz Eduardo Eugênio Siravegna Junior, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, negou pedido da defesa de NILTON para revogar a prisão. No dia 9 de outubro, o Gaeco denunciou o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, afastado do cargo após a prisão, e outros 22 investigados por organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeita de interferência em investigação criminal. O Gaeco pede condenação e indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A defesa do delegado, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas serão questionadas e que não há indicação direta de participação de Hoffman.

Leia mais

Rolar para cima