Denúncia aponta movimentação de R$ 1,6 milhão em esquema de desvio de drogas na Denar

Investigação do Gaeco aponta 21 operações financeiras entre maio e outubro de 2024 e suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo drogas desviadas de delegacia. [...]

Uma denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado aponta que um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico movimentou R$ 1.632.604,32 em 21 operações financeiras entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024. As transações teriam como beneficiários finais o traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, e a empresa L R Obras e Construções.

As investigações integram a Operação Infiltrados, que resultou na denúncia de 23 pessoas por organização criminosa, corrupção, tráfico de drogas, peculato e lavagem de dinheiro, entre elas 10 policiais. O Ministério Público pede a condenação de todos e o pagamento de R$ 10 milhões. Segundo a acusação, LK articulava a intermediação entre policiais e integrantes do tráfico, repassando informações sobre carregamentos e coordenando a venda dos entorpecentes desviados.

A denúncia também aponta suspeitas sobre a evolução patrimonial do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, afastado das funções e apontado como integrante da estrutura investigada. Conforme o documento, os bens e direitos declarados por ele passaram de R$ 374 mil, em dezembro de 2023, para R$ 1,22 milhão, em dezembro de 2025, enquanto as dívidas subiram de R$ 274,8 mil para R$ 1,36 milhão no mesmo intervalo. A acusação destaca ainda a compra de um terreno no condomínio Alphaville I, em 2024, declarado por R$ 400 mil e pago em dinheiro vivo, além do uso de R$ 75 mil em espécie na aquisição de um Honda HR-V modelo 2025. Planilhas encontradas nos dados telemáticos do delegado indicariam custo superior a R$ 1,6 milhão apenas para o acabamento da residência no condomínio.

Em interrogatório, Hoffman afirmou ter recebido um empréstimo de R$ 750 mil de um amigo, em dinheiro, na cidade de Goiânia, e disse ter investido a maior parte do valor na construção da casa. A denúncia afirma que não houve comprovação do empréstimo e sustenta que a movimentação em espécie dificultou o rastreamento dos recursos. O Gaeco também identificou R$ 436.752 em créditos recebidos pelo delegado e pela esposa, em transações com depositantes não identificados ou com identificação considerada precária, o que o documento classifica como características típicas de recebimento de propina.

A defesa do delegado, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas serão questionadas durante a instrução processual. Segundo Rosa, a análise dos elementos em seu contexto integral deve demonstrar que Hoffman não participou dos ilícitos investigados. O advogado declarou que pessoas sob o comando do delegado podem ter agido contra a lei, mas que não há indicação direta de participação dele, e demonstrou confiança de que a verdade prevalecerá ao final do processo.

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