Uma oficina de carros na Rua São Borja, na Vila Célia, em Campo Grande, foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4). No local, 13 veículos estão sendo guinchados, entre eles uma Pajero Dakar, uma caminhonete S10, um Jeep Wrangler com suspensão e pneus modificados e um calhambeque fabricado nas primeiras décadas do século XX. Os demais carros serão retirados na sequência.
Os policiais chegaram à oficina por volta das 5h, quando não havia ninguém. A porta de acesso foi arrombada para o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Um caixa foi arrombado, mas não havia dinheiro no interior. O suposto dono de um dos veículos chegou ao local durante a ação, foi impedido de entrar e deixou a oficina.
A oficina é um dos alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal contra tráfico de drogas e armas. Além da Rua São Borja, os policiais cumprem mandados na Rua São Félix e no condomínio de luxo Alphaville. Policiais civis, militares e um policial rodoviário federal são alvos da operação.
Ao todo, foram cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal. O grupo é investigado por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de crimes violentos como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Segundo as investigações, a organização utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar rivais. A atuação ocorria principalmente na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, com ramificações em outros estados brasileiros. Drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes de distribuição no Brasil e rotas de tráfico destinadas à Europa, especialmente Espanha e Portugal.