A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (4) a Operação Ifrit, que tem 29 alvos por suspeita de integrar uma quadrilha de tráfico de drogas com desvio de cocaína da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Mato Grosso do Sul. O grupo teria movimentado cerca de R$ 500 milhões em dois anos, segundo a PF.
Entre os alvos está o delegado de Polícia Civil Hoffman D'Ávila Candido e Sousa, preso desde setembro na Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Conforme a Polícia Federal, Hoffman teria lucrado R$ 15 milhões com a venda de cocaína e misturava fermento e farinha à droga. Ele teria vendido cerca de 2 toneladas de cocaína desviadas do depósito da Denar, por valores entre R$ 8.500 e R$ 10.500 por quilo.
A operação cumpre 76 mandados judiciais, sendo 25 de prisão, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções. Em Campo Grande, os federais apreenderam um Mustang que pertence ao policial civil Douglas Tobias, encontrado em um condomínio de alto padrão. Douglas também foi denunciado pelo Gaeco na Operação Infiltrados.
De acordo com a PF, o grupo usava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino de armas e drogas e tinha um esquema para lavar dinheiro do crime. A organização é investigada por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e delitos violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. As drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes no Brasil e rotas para a Europa, especialmente Espanha e Portugal. A atuação principal ocorria na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.
A defesa de Hoffman, representada pelos advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, João Pedro da Silva Fialho, Lucas de Nobrega Fuzinatto e Jakson Gomes Yamashita, informou que o delegado já estava em custódia cautelar por outro procedimento e foi encaminhado à unidade prisional competente após a nova ordem judicial. Os advogados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos e que qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura. Já a defesa de Fahd Haidar disse que não vai se manifestar neste momento porque também não teve acesso aos autos.