A Operação Carbono Oculto, que teve sua segunda fase deflagrada em 28 de setembro, focou em endereços nobres de São Paulo, especificamente na Avenida Faria Lima, em um esforço para investigar a estrutura financeira do PCC no setor de combustíveis. A operação revelou um esquema que une lavagem de dinheiro e lucratividade elevada, utilizando fintechs e fundos de investimento para disfarçar os recursos financeiros. Estima-se que o grupo tenha gerado pelo menos R$ 26 bilhões em lucros através de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis desde 2022, conforme indicado por investigações do Ministério Público e da Receita Federal.
Após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, que ocorreu em agosto de 2025, as investigações se concentraram em seis fintechs suspeitas de integrar um núcleo financeiro significativo da facção. As apurações identificaram que essas empresas eram utilizadas para realizar compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de movimentações entre empresas e fundos de investimento geridos pela organização criminosa. As fintechs também estavam envolvidas no pagamento de colaboradores e na cobertura de despesas pessoais dos principais operadores do esquema.
A operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados, incluindo São Paulo, onde foram alvos a capital e cidades como Arujá, Atibaia, Barueri, Santos e São José do Rio Preto. No Paraná, as ações ocorreram em Cascavel e Paranavaí, enquanto em Minas Gerais, o foco foi em Belo Horizonte. No Mato Grosso do Sul, as investigações se concentraram em Iguatemi e no Rio de Janeiro.
Dentre os principais alvos, destacam-se empresas do grupo Ceopag, situadas em São José do Rio Preto e Barueri; do grupo Sispay, localizado na Rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi; do grupo Smart Solutions, na Barra da Tijuca, e do grupo Yaw, que possui endereços em Alphaville e no centro de Belo Horizonte. A Ello Gestora de Recursos Ltda também foi investigada, com sedes localizadas na Vila Nova Conceição e na Avenida Brigadeiro Faria Lima.
Investigações indicam que uma dessas fintechs recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024. Até 2025, essas instituições de pagamento não eram obrigadas a enviar à Receita Federal a e-Financeira, a declaração que informa movimentações financeiras de clientes. Essa lacuna dificultava o acesso de órgãos de controle e fiscalização às operações realizadas por essas fintechs.
Com o início da Operação Carbono Oculto, houve uma mudança significativa na exigência de entrega da e-Financeira. Desde agosto de 2025, mais de 450 instituições passaram a enviar dados à Receita Federal, resultando em um volume substancial de informações que se tornaram essenciais para o combate a crimes financeiros associados ao crime organizado.