O ex-deputado estadual Neno Razuk está a caminho de Campo Grande, onde será encaminhado diretamente para o presídio. Sua captura ocorreu na noite de domingo (2), quando foi abordado pelas autoridades bolivianas e, posteriormente, entregue à Polícia Federal (PF) na cidade de Corumbá. Na manhã desta segunda-feira, Neno passou por um exame de corpo de delito no Imol de Corumbá e deixou a cidade por volta das 11h30.
A decisão de se entregar foi motivada pela rejeição de um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que buscava a recuperação de seu cargo e, consequentemente, do foro privilegiado. Além disso, um habeas corpus que havia sido solicitado foi negado. Ele já havia manifestado a intenção de se apresentar ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) entre esta segunda e terça-feira, conforme comunicado ao juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
Antes de sua abordagem na Bolívia, a PF já monitorava a situação de Neno Razuk, conforme informado em nota oficial. A nota destaca que a colaboração entre as instituições envolvidas foi fundamental para a localização do ex-deputado. A PF ressaltou a importância do compartilhamento rápido de informações e a realização de diligências necessárias para o sucesso da operação.
O nome de Neno Razuk também estava sob análise na sede da Interpol na França, embora ainda não houvesse uma difusão vermelha emitida. Sua prisão está relacionada a acusações de liderar uma organização criminosa que operava o jogo do bicho em Campo Grande, conforme revelado pela Operação Successione, deflagrada em dezembro de 2023 pelo Gaeco do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul.
Na ação, dez pessoas foram alvo de investigação, incluindo Neno, que pertence ao PL. O pai dele, Roberto Razuk, atualmente cumpre prisão domiciliar, enquanto os irmãos Rafael e Jorge estão detidos. Roberto foi identificado pelo Gaeco como um dos antigos líderes do jogo do bicho na região sul do Estado. Até a década de 1990, essa operação criminosa era comandada por Fahd Jamil, também implicado em fases anteriores da Operação Successione.