Após 14 anos de gestão marcada por problemas significativos, o Consórcio Guaicurus foi vendido ao grupo HP Mobilidade, com sede em Goiás. A prefeita Adriane Lopes (PP) confirmou a transação na tarde de terça-feira (21) e destacou que a prefeitura irá validar a nova operação. A venda ocorre em um contexto em que a população de Campo Grande vem enfrentando sérios problemas no transporte coletivo, com ônibus sucateados e falta de manutenção nos terminais.
Desde o ano passado, a situação do consórcio se agravou após a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Vereadores, que expôs a precariedade dos serviços prestados. O relatório da CPI revelou que o Consórcio Guaicurus descumpria reiteradamente o contrato de concessão, falhando na renovação da frota e na manutenção dos veículos, enquanto recebia quantias expressivas para realizar os serviços.
A situação crítica dos ônibus, com relatos frequentes de quebras e incêndios, se agravou ao longo dos anos. A CPI, finalizada em setembro de 2025, concluiu que o consórcio não possuía mais condições de operar, recomendando uma intervenção. Entre 2012 e 2020, a gestão do consórcio foi marcada por repasses de R$ 70 milhões pela prefeitura, incluindo até aportes do Governo do Estado, mas a qualidade dos serviços não melhorou.
A falta de renovação da frota foi um dos principais fatores que contribuíram para o sucateamento dos ônibus. Reportagens demonstraram que as obrigações contratuais de renovação foram sistematicamente ignoradas. A pandemia de covid-19, a partir de 2020, também teve um impacto negativo, exacerbando a situação já crítica do transporte coletivo na capital.
A venda do consórcio foi antecipada por rumores que circulavam desde abril, e a prefeita expressou otimismo em relação à proposta da nova empresa. Com a mudança, espera-se que a qualidade do serviço de transporte coletivo em Campo Grande melhore, beneficiando a população que, por anos, enfrentou os desafios de um sistema ineficiente e deteriorado.