Na última terça-feira (28), uma jovem indígena revelou ter sido supostamente agredida e vítima de tentativa de estupro durante uma operação da Polícia Militar na Fazenda Limoeiro, localizada na Aldeia Limão Verde, em Amambai, a 338 km de Campo Grande. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) refutou as alegações, afirmando que não houve qualquer abuso durante ou após a ação.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais pela página Kuñangue Aty Guasu, a mãe da jovem relatou que a menina teria sido machucada durante a detenção. A jovem, por sua vez, declarou que sofreu agressões e que a tentativa de abuso ocorreu dentro da delegacia. Ela afirmou: "Quando chegamos na delegacia, já tinha me entregado, tinha me colocado na cela e começou a me agredir de novo. Me colocou na cela, os policiais falaram: ‘Vamos abusar dela’".
A PMMS, em uma nota oficial, ressaltou que a jovem foi apresentada à autoridade policial e ao Conselho Tutelar, acompanhada por órgãos de proteção, e que em nenhum momento ela fez queixa ou relato sobre abusos. A corporação classificou a tentativa de vincular sua ação a esses supostos abusos como desinformação, destacando que a operação teve como objetivo garantir a ordem pública.
A intervenção na Fazenda Limoeiro foi motivada por uma resistência violenta por parte de um grupo de indígenas, que, na manhã de segunda-feira (27), invadiu a propriedade, montou um barraco e ateou fogo em áreas de lavoura. A PMMS informou que os indígenas estavam armados com facas, lanças, arcos e flechas, e que avançaram contra as equipes policiais no local.
Para conter a agressão e assegurar a segurança do efetivo, a PMMS utilizou força moderada, com munições de elastômero e granadas de efeito moral. Um indivíduo foi detido pelo Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), e em sua posse, foram apreendidos um facão de 50 cm, estilingue, uma faca, uma flecha de ferro, uma lança de madeira, um porrete e 18 cocos verdes, que eram utilizados para comunicação entre os membros do grupo.
A situação na Fazenda Limoeiro é um reflexo das tensões existentes entre as comunidades indígenas e as autoridades locais, que frequentemente resultam em confrontos e operações policiais. A situação continua a ser monitorada pelas autoridades competentes, enquanto a comunidade indígena busca a proteção de seus direitos e a preservação de suas terras.