Fraude em licitação em Porto Murtinho envolve esquema de R$ 27 milhões

Rhayane Souza Fanaia, investigada por desvio em Mato Grosso do Sul, orientou servidor a manipular licitação em Porto Murtinho. A operação revela um esquema maior [...]

A investigação sobre desvio de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul, envolvendo a Editora Avante, trouxe à tona a participação de Rhayane Souza Fanaia, oficialmente a proprietária da empresa. Ela foi flagrada em conversas interceptadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) orientando o servidor Marcio de Souza a burlar o processo licitatório em Porto Murtinho.

Em diálogos de 2023, Rhayane buscou esclarecer dúvidas com Marcio, que trabalhava na prefeitura, sobre como justificar a escolha da Editora Avante na licitação. Apesar de seu nome estar registrado na empresa, investigações indicam que Rossana Paroschi Jafar era a verdadeira responsável pelo empreendimento e que obtinha a maior parte dos lucros provenientes das fraudes.

Conforme o relatório do Gaeco, a comunicação entre Marcio e Felipe Paroschi Jafar, filho de Rossana, facilitou a troca de informações sobre o esquema. Marcio mencionou a necessidade de uma justificativa robusta para a inexigibilidade de licitação, indicando que essa modalidade havia sido sugerida por Felipe. Rhayane, então, enviou um documento com uma justificativa utilizada em licitações anteriores, oferecendo assistência para elaborar um estudo técnico que conferisse aparência de legalidade ao processo.

O Portal da Transparência de Porto Murtinho revela que a Editora Avante firmou um contrato de R$ 249.964,55 com a Secretaria de Educação em 2021, durante a gestão do prefeito Nelson Cintra (PSDB). A advogada Vitória Xavier Barbosa, que defende Rhayane, declarou que sua cliente reafirma a inocência e que essa posição será comprovada ao longo do processo judicial.

As investigações também revelaram um grupo criminoso que operava em Campo Grande e em outras cidades do estado, acusado de fraudes em licitações e corrupção. O Ministério Público de Goiás relatou que, durante a Operação Gutenberg, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão, com Rhayane sendo um dos alvos principais.

Esse esquema evidencia um complexo de corrupção que envolve diversas pessoas, incluindo empresários e ex-autoridades, e levanta questões sobre a integridade dos processos licitatórios na região. O desdobramento das investigações pode impactar significativamente a administração pública e a confiança nas instituições locais.

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