A Paraíba, Estado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, recebeu 43% de todas as emendas de liderança do Republicanos em 2025, conforme estudo da Transparência Brasil divulgado na última segunda-feira (13). O levantamento revelou que, entre os R$ 218,4 milhões em emendas de comissão, R$ 95,1 milhões foram alocados ao Estado, distribuídos em 84 emendas diferentes.
O relatório da Transparência Brasil identificou um total de 260 repasses realizados pelo Republicanos, partido do deputado Hugo Motta. Essas emendas, que não têm seus autores identificados, se assemelham ao antigo orçamento secreto, levando a questionamentos sobre a transparência na destinação dos recursos públicos.
O estudo aponta que, ao todo, foram repassados R$ 1,3 bilhão por meio dessas emendas, que, sendo de autoria não identificada, limitam a rastreabilidade dos recursos desde a indicação até a execução. Tal prática ocorre através das emendas de comissão, que são recursos alocados pelas comissões da Câmara e do Senado no Orçamento da União. Após o fim do orçamento secreto, esse esquema se intensificou, com o governo liberando verbas sem especificar o nome dos parlamentares responsáveis pela indicação.
Um exemplo citado no estudo é o empenho de R$ 10,5 milhões destinado à Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), que foi direcionado à empresa Comercial e Construtora Fenix LTDA, com indicação feita por Hugo Motta. O relatório destaca que a falta de um identificador único para cada indicação de beneficiário final dificulta a transparência total sobre a execução das emendas.
Além disso, a análise da Transparência Brasil revela que o funcionamento das emendas de comissão ainda segue uma lógica semelhante à do orçamento secreto, o que levanta preocupações sobre a utilização dos recursos. Hugo Motta, procurado para comentar o assunto, ainda não se manifestou sobre as conclusões do estudo.
Essas revelações surgem em um momento em que o presidente da Câmara já havia expressado seu inconformismo com intervenções judiciais que questionam a alocação de emendas, defendendo que a destinação dos recursos está em conformidade com a legislação vigente e os compromissos entre os poderes Executivo e Legislativo. A discussão sobre a transparência nas emendas parlamentares é um tema recorrente e crítico, especialmente diante de recentes decisões que impactam a atuação de parlamentares, como a determinação do ministro Flávio Dino que bloqueou bens do ex-deputado Eduardo Cunha.