O dólar iniciou a semana com uma leve queda no mercado local, seguindo a tendência observada na moeda norte-americana internacionalmente. No entanto, algumas moedas da América Latina enfrentaram dificuldades. Operadores do mercado apontam que houve uma acomodação na taxa de câmbio, com uma devolução parcial dos ganhos obtidos na última sexta-feira, influenciada por novas pesquisas que indicam uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto.
Durante a manhã, na tentativa de formar a última taxa Ptax de agosto, a moeda apresentou oscilações, chegando a registrar uma mínima de R$ 5,1615. A avaliação é que a volatilidade do dia foi controlada, uma vez que muitos dos ajustes típicos do final do mês já haviam sido realizados nas sessões anteriores.
Com uma máxima de R$ 5,1892, o dólar encerrou o dia em R$ 5,1801, apresentando uma queda de 0,32% e acumulando uma alta de 2,16% em agosto, após um recuo de 1,79% em julho. Fernando Cesar, operador sênior da AGK Corretora, observou que a alta significativa na sexta-feira, quando o dólar atingiu R$ 5,23 antes de fechar abaixo de R$ 5,20, foi mais um ajuste, possivelmente impactado pelas pesquisas eleitorais, embora sem uma mudança drástica no cenário.
A Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está com 47,1% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro possui 42,6%. Essa diferença representa uma redução de 1,8 ponto porcentual em comparação com o levantamento anterior. Por sua vez, a pesquisa BTG/Nexus mostrou um empate técnico entre Lula e Flávio na simulação para o segundo turno.
Uma das novidades das recentes pesquisas é o crescimento de Augusto Cury (Avante), que assumiu a terceira posição nas intenções de voto, o que pode potencialmente reduzir as chances de Lula vencer já no primeiro turno. O economista Fabrizio Velloni comentou que esse aumento da oposição, com o empate técnico entre Lula e Flávio, pode trazer um alívio para o câmbio, pois a direita é vista como a principal aposta do mercado para uma mudança na política econômica, especialmente em relação à redução dos gastos públicos.
Referente ao dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY apresentou uma queda de 0,29%, atingindo 99,412 pontos, após ter registrado uma mínima de 99,370 pontos. As taxas dos Treasuries de longo prazo subiram cerca de cinco pontos-base, enquanto o retorno da T-note de dois anos permaneceu estável após os movimentos da última sexta-feira, quando o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed) elevou as expectativas de alta nas taxas de juros nos EUA em setembro.