Documentário sobre a língua Kadiwéu é destaque em mostra de cinema em São Paulo

A jornalista Ana Beatriz Leal apresenta o documentário 'Nioladi' na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, destacando a resistência da língua Kadiwéu em Mato Grosso do [...]
Documentário "Nioladi: Como resiste a língua Kadiwéu?". — Foto: Documentário "Ni

O documentário intitulado "Nioladi: Como resiste a língua Kadiwéu?", elaborado pela jornalista Ana Beatriz Leal, está entre os selecionados para a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, que acontece em São Paulo em 2026. A produção, que realizou seu desenvolvimento como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UFMS, busca evidenciar a resistência da língua Kadiwéu, falada na Reserva Indígena Kadiwéu, localizada em Mato Grosso do Sul.

A Mostra Ecofalante, conhecida por sua dedicação à promoção de conteúdos socioambientais, é uma plataforma reconhecida na difusão de produções culturais. O filme, por meio de depoimentos de educadores, estudantes, líderes comunitários e anciãos, investiga como a língua Kadiwéu tem se mantido viva frente às adversidades históricas e às pressões externas que ameaçam sua continuidade.

Ana Beatriz Leal, em entrevista, compartilhou que a ideia do documentário começou a tomar forma em 2023, durante uma visita à aldeia Kadiwéu Alves de Barros. Na ocasião, a professora e linguista Vanda Pires, que é a primeira mulher Kadiwéu a cursar uma pós-graduação, relatou um fenômeno de apagamento da língua, uma questão que ela observou e posteriormente documentou em sua pesquisa.

Desenvolver o projeto, no entanto, não foi uma tarefa simples. A jornalista destacou que um dos principais obstáculos enfrentados foi a execução do trabalho de forma autônoma e com recursos limitados. A seleção para a mostra representa, Para Ana Beatriz, uma significativa conquista. "Fazer algo que represente a cultura Kadiwéu, mesmo que em uma produção pequena de menos de 13 minutos, é um grande motivo de alegria. Fico contente em saber que meu trabalho conseguiu alcançar a maior cidade do país", afirmou.

O documentário não apenas celebra a língua Kadiwéu, mas também enfatiza sua função vital como um símbolo de resistência cultural. Para Ana Beatriz, é crucial que as novas gerações compreendam e preservem esse patrimônio imaterial. "O Kadiwéu se mostra como um instrumento valioso de resistência, sublinhando a importância das futuras gerações na manutenção dessa rica herança cultural", concluiu.

O trailer da produção está disponível para visualização, trazendo um pouco do que será apresentado na mostra.

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