A Justiça do Rio de Janeiro condenou Jeander Vinícius da Silva Braga a 22 anos e 9 meses de prisão por sua participação na morte do ator Jeff Machado. A decisão foi proferida na quarta-feira (8) e considerou o réu culpado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais. O juiz responsável pelo caso também negou o direito de recorrer em liberdade, afirmando que a manutenção da prisão é necessária para garantir a aplicação da lei penal.
A defesa de Braga, representada pelo advogado Fabio Manoel, manifestou descontentamento com o veredicto, afirmando que a decisão foi injusta. O advogado declarou que as provas apresentadas no júri não foram suficientes para comprovar a participação do réu no crime de homicídio. Ele confirmou que um recurso de apelação será apresentado, buscando a absolvição em relação às acusações de homicídio e maus-tratos a animais, ou ao menos uma redução da pena ao retirar as qualificadoras.
O ator Jeff Machado desapareceu em 17 de janeiro de 2023, e seu corpo foi encontrado em 22 de maio, enterrado sob dois metros de concreto em uma casa em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. O cadáver estava dentro de um baú, com os braços amarrados e sinais de violência no pescoço, o que chocou a opinião pública. A condenação foi acompanhada por Maria das Dores, mãe de Jeff, que estava presente no julgamento e prestou depoimento. Ela expressou alívio e satisfação com o resultado, considerando-o uma resposta ao sofrimento que viveu desde o crime.
As investigações que levaram à condenação de Braga começaram após o abandono dos cães de Jeff Machado em diferentes locais da zona oeste do Rio. Uma ONG de proteção animal conseguiu identificar os animais, que possuíam chips, e notificou a família do ator. O caso se aprofundou, revelando a dinâmica do crime, que envolveu ainda outro réu, Bruno de Souza Rodrigues, acusado de atrair Jeff com promessas falsas de trabalho na televisão. Ele deverá ser julgado em 10 de dezembro.
Jeff Machado, Natural de Araranguá, Santa Catarina, era formado em Jornalismo e Cinema e vivia no Rio de Janeiro desde 2014, onde atuava na novela Reis, da Record TV. Sua trajetória profissional incluiu trabalhos como assessor de imprensa, produtor e cenógrafo. Além disso, era apaixonado por cães e cuidava de oito animais da raça setter, cuja localização foi crucial para a resolução do caso.