A tensão entre Colômbia e Equador aumentou após o governo colombiano acusar o presidente equatoriano, Daniel Noboa, de interferir nas eleições presidenciais da Colômbia. Essa acusação veio após Noboa anunciar, em uma rede social, a revogação de tarifas sobre produtos colombianos, decisão que a Colômbia considera ligada a interesses políticos, embora o presidente equatoriano tenha afirmado que se tratava de um passo para fortalecer a cooperação entre os países no combate ao narcoterrorismo. O anúncio e a revogação das tarifas ocorrem um dia antes da eleição que escolherá o sucessor de Gustavo Petro, marcada para este domingo (31).
No comunicado oficial, o governo da Colômbia esclareceu que a decisão do Equador de eliminar tarifas, em vigor a partir de 1º de junho, não é uma ação voluntária de Quito, mas sim um cumprimento de obrigações da Comunidade Andina (CAN). A Colômbia afirmou que a retirada da taxa de segurança sobre importações, anunciada por Noboa após diálogo com o candidato da oposição Abelardo de la Espriella, um dos favoritos nas pesquisas, desvirtua a realidade das normas comerciais em vigor.
Ainda , a apresentação da revogação como um gesto amigável ignora que essa medida é resultado de imposições internacionais. O governo colombiano ressaltou que instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) já haviam alertado sobre os efeitos adversos de restrições comerciais para a economia e a competitividade, especialmente nas regiões fronteiriças.
O comunicado trouxe um tom firme, ao classificar a ação de Noboa como uma violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos da Colômbia, além de uma ameaça à sua soberania e ao seu sistema democrático. A Colômbia reiterou que decisões comerciais que impactam trabalhadores e empresas devem ser guiadas por critérios técnicos e não por interesses eleitorais.
Apesar das críticas direcionadas a Noboa, o governo colombiano também anunciou que irá revogar as tarifas retaliatórias impostas sobre produtos equatorianos. Essa disputa comercial teve início em janeiro, quando o Equador aplicou sobretaxas de até 100% sobre importações colombianas, culminando em uma escalada nas tensões comerciais entre as duas nações andinas, cuja relação já apresenta um histórico de conflitos.