Cármen Lúcia expressa constrangimento diante da crise no STF e pede desculpas ao povo brasileiro

A ministra Cármen Lúcia, do STF, pediu desculpas ao povo brasileiro pela crise no tribunal, afirmando que o Poder Judiciário deveria proporcionar tranquilidade, mas gerou [...]

A ministra Cármen Lúcia, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um apelo ao povo brasileiro na última terça-feira, dia 15, durante uma sessão marcada por tensões e discussões acaloradas. Em seu discurso, ela pediu desculpas pela atmosfera de crise que permeia o tribunal, especialmente em um momento em que o país se aproxima das eleições, com o primeiro turno agendado para o dia 4 de outubro. A ministra enfatizou que o Poder Judiciário deve ser uma fonte de tranquilidade para a população, mas reconheceu que isso não tem sido alcançado.

Cármen Lúcia expressou seu constrangimento ao observar que o STF tem atraído a atenção da sociedade em um período tão crítico para a democracia. Em sua fala, dirigiu-se ao presidente da Corte, Edson Fachin, e afirmou: “Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo”. Ela admitiu que várias das questões em pauta são de grande gravidade e que o tribunal deveria estar focado em proporcionar segurança jurídica ao país.

A ministra reconheceu que poderia ter atuado de forma mais eficaz para amenizar a crise interna, pedindo desculpas ao povo que pode ter esperado uma postura mais resolutiva de sua parte. “Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver. E as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”, afirmou.

Cármen Lúcia também fez questão de esclarecer que não está sob pressão, seja interna ou externa, para tomar decisões em um sentido específico. “É preciso que as pessoas acreditem que nós temos a independência necessária para continuarmos a ser juízes”, destacou, ressaltando a importância de que os julgadores mantenham rigor e serenidade em casos que envolvem o próprio tribunal.

O clima tenso foi palpável durante a sessão, onde o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça trocaram acusações. Moraes acusou Mendonça de agir em favor de um grupo político que buscava dar um golpe, ao que Mendonça respondeu com um categórico “Mentira”. O decano Gilmar Mendes também se manifestou, afirmando que a condução do caso por Mendonça tinha um “viés político-eleitoral”, e comparou sua atuação a uma “relação de máfia”. Mendonça, por sua vez, chamou Gilmar de “leviano”, intensificando ainda mais a tensão.

No início da sessão, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito. Após os embates, o plenário passou a discutir uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, que propõe suspender o julgamento, sortear um novo relator e adiar a análise para o dia 23, quando também será discutido o pedido de investigação contra Mendonça.

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