Durante o evento, Rollemberg criticou a resistência de alguns parlamentares em apoiar a instalação da CPI, sugerindo que muitos têm interesses pessoais que os impedem de agir contra a corrupção. "Infelizmente, o que a gente percebe é que muitos parlamentares não querem a CPI, a gente entende que muitos parlamentares têm o rabo preso", afirmou Rollemberg, referindo-se à necessidade de transparência e responsabilidade no Congresso.
O requerimento para a CPI do Banco Master foi apresentado por Rollemberg no início de fevereiro e rapidamente obteve mais de 200 assinaturas de deputados federais. Entretanto, a proposta ainda não foi analisada pelos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente. A inação tem sido atribuída ao receio de investigações que poderiam atingir não apenas a oposição, mas também membros da base governista, especialmente em um ano eleitoral.
As recentes operações da Polícia Federal contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado, trouxeram novos elementos para o debate. Wagner é investigado por suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção que inclui a recepção de um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somam R$ 3,5 milhões. Os investigadores acreditam que uma estrutura foi criada para ocultar vantagens indevidas relacionadas às fraudes no programa Compliance Zero.
Além disso, a operação resultou na apreensão de US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços associados a Wagner, totalizando cerca de R$ 485 mil. As investigações também buscam esclarecer se Wagner utilizou sua influência parlamentar para favorecer o Banco Master, que é controlado por Daniel Vorcaro, em negociações no Congresso.
Uma ala do governo discute a possibilidade de que Wagner deixe sua posição de liderança no Senado, visando evitar maiores desgastes políticos. Essa discussão se intensificou após a derrota da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, evidenciando a insatisfação de alguns integrantes do governo com a atuação do senador baiano.