A Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, foi o cenário em que o governo brasileiro solicitou um maior comprometimento das nações desenvolvidas para a diminuição da desigualdade global. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua preocupação com o aumento da disparidade entre os países ricos e os em desenvolvimento.
Lula, que foi convidado para o evento, afirmou que os desafios enfrentados pela comunidade internacional estão em crescimento, enquanto a solidariedade entre os países parece estar diminuindo. Ele ressaltou que a diferença entre a prosperidade testemunhada em Évian e a realidade de bilhões de pessoas no Sul Global permanece cada vez maior.
O presidente brasileiro, ao compartilhar suas reflexões, recordou que o Programa Mundial de Alimentos havia perdido cerca de 40% do seu financiamento no ano anterior. Ele também mencionou que a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF tiveram seus orçamentos reduzidos em mais de 20%. Lula destacou que guerras e conflitos ainda desvirtuam a prioridade do desenvolvimento global.
Em relação aos gastos militares anuais, o presidente lamentou que a soma atingiu quase US$ 3 trilhões, enfatizando que esses valores têm um impacto significativo na vida cotidiana de quem reside em países em desenvolvimento. Para Lula, esse cenário resulta em milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, à educação e à saúde essenciais.
O presidente também fez referência a uma transferência anual de 1,4 trilhão de dólares em serviço da dívida por parte do mundo em desenvolvimento, um valor que é sete vezes maior do que a ajuda recebida das nações mais ricas. Esta realidade, segundo ele, evidencia a necessidade urgente de ações coletivas mais eficazes.
Lula relembrou sua participação em 2003 na Cúpula do então-G8, apontando que desde então houve mais nove edições do G8 ou G7, e em todas elas os líderes se depararam com desafios que impactam milhões de pessoas, mas sem conseguir estabelecer soluções duradouras.