Um homem de 30 anos, preso sob a acusação de cometer duplo homicídio, foi liberado após audiência de custódia realizada no último sábado (6). Ele é apontado como responsável pela morte da mulher trans Nathalia dos Anjos Molina, de 33 anos, e de seu companheiro Ademar Spacino Júnior, de 38 anos. A decisão de conceder a liberdade provisória se deu com a imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica por um período de 180 dias.
Os advogados de defesa, Ana Rosa Macena e Paulo Macena, informaram que a liberdade foi concedida sem a exigência de fiança, argumentando que o réu possui bons antecedentes e não apresenta passagens anteriores pela polícia. Paulo Macena destacou que as medidas cautelares são adequadas para garantir o trâmite regular do processo.
A decisão judicial, assinada pelo juiz Francisco Vieira de Andrade Neto, impõe ao acusado a proibição de se aproximar ou ter qualquer tipo de contato com os parentes das vítimas. Além disso, ele deverá comparecer mensalmente ao juízo para comprovar seu endereço e vínculo empregatício, além de atender no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
O crime ocorreu na manhã de sexta-feira (5), no bairro Taquarussu, em Campo Grande. O casal, que residia nos fundos da casa do suspeito, foi alvo de disparos. O homem foi preso horas depois pelo Grupo de Operações e Investigação (GOI). De acordo com a esposa do autor dos disparos, houve uma desavença anterior com o casal, que resultou em ameaças e perturbações.
Relatos indicam que, por volta das 5h45min, a esposa do suspeito estava saindo para trabalhar quando foi abordada por um dos envolvidos, que tentou agredi-la. O marido então saiu em sua defesa e disparou contra uma das vítimas. Em seguida, ele entrou na casa onde estava o companheiro de Nathalia e efetuou novos disparos, resultando na morte de ambos no local.
A mãe de Nathalia revelou que o assassinato duplo pode ter sido motivado por questões de ódio à identidade de gênero da filha. Ela havia alertado a filha sobre os riscos de permanecer na residência devido às constantes ameaças e conflitos com os vizinhos. Curiosamente, um caminhão de mudança chegou à casa no mesmo dia do crime, horas após os assassinatos.