Supermercados na Bolívia enfrentam escassez de produtos em meio a protestos

A crise política que atinge a Bolívia gera um cenário de desabastecimento, com supermercados em La Paz apresentando prateleiras vazias. Os bloqueios nas estradas dificultam [...]
Os protestos iniciaram no dia 18 de maio. (Foto: Divulgação/ Central Obrera Boli

A influencer Beatriz Costa divulgou em suas redes sociais, no último dia 19, um vídeo que retrata a grave situação de desabastecimento nos supermercados de La Paz, na Bolívia. O país enfrenta uma crise política resultante de decisões tomadas pelo governo de Rodrigo Paz, que assumiu a presidência em dezembro de 2025. Os protestos populares têm provocado bloqueios nas estradas, impactando diretamente a distribuição de suprimentos nas principais cidades bolivianas.

No vídeo, Beatriz Costa mostra um supermercado em La Paz com prateleiras praticamente vazias ou com produtos escassos. As seções de alimentos frescos, como carnes, verduras e embutidos, estão desprovidas de itens, refletindo a crise alimentar que se agrava no país. A influenciadora, que se descreve como nômade digital, relata ainda a experiência de uma amiga que enfrentou uma rota de quatro dias, que normalmente seria percorrida em apenas 10 horas.

Os protestos, que começaram em abril, resultaram em mais de 23 bloqueios nas rodovias, conforme registrado no dia 18 de maio. As cidades de La Paz e El Alto estão entre as mais afetadas, com 13 estradas bloqueadas nas proximidades. Além disso, a distribuição de alimentos também foi severamente afetada em Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba, demonstrando a extensão da crise.

A origem dos protestos está relacionada a diversas leis promulgadas pelo governo de Rodrigo Paz, sendo a Lei 1.720 a principal causa dos bloqueios. Essa norma altera a propriedade de terras no país e é vista por movimentos indígenas e campesinos como uma ameaça ao direito de pequenos proprietários e terras coletivas. O governo, por sua vez, defende que a lei visa apoiar a agricultura nacional.

Os movimentos sociais afirmam que a repressão aos manifestantes tem sido violenta, apesar das declarações do governo sobre a disposição para o diálogo. O Estado alega que as revoltas estão sendo incitadas por seguidores do ex-presidente Evo Morales e acusa os manifestantes de utilizarem armas de fogo e dinamites em seus ataques.

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