O Ministério Público de Contas de Mato Grosso do Sul ingressou, em 21 de novembro de 2025, com uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE‑MS) solicitando a abertura de uma auditoria ampla e imediata para apurar investimentos realizados por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em municípios sul‑mato‑grossenses no Banco Master S.A., instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2024.
A representação indica que, entre os municípios citados, Angélica, Fátima do Sul, São Gabriel do Oeste, Jateí e Campo Grande aplicaram, ao menos, R$ 16,09 milhões em Letras Financeiras, títulos de alto risco sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode gerar perdas significativas, impacto atuarial e desvalorização contábil nas carteiras dos fundos municipais.
O documento aponta indícios de gestão temerária, fragilidades na governança e possíveis conflitos de interesse envolvendo gestores, consultorias financeiras e autoridades responsáveis pelas autorizações das aplicações, e menciona recomendação da ATRICON para ampliar investigações sobre investimentos de RPPS na instituição liquidada.
O MPC‑MS solicita ao TCE‑MS a análise de toda a cadeia decisória dos aportes, incluindo avaliações de risco, políticas de investimento, autorizações formais e eventuais provisões contábeis, além de exigir que os RPPS enviem informações detalhadas sobre posições financeiras, fundamentos técnicos e documentos internos, ressaltando risco sistêmico elevado e a necessidade de transparência e proteção do patrimônio previdenciário.