Em Campo Grande, a rotina de Renata Rodrigues, 31 anos, moradora do distrito de Anhanduí, é marcada por um desafio constante: garantir que seu filho, Samuel Rodrigues de Andrade, de apenas 3 anos, tenha acesso ao tratamento essencial para seu desenvolvimento. Samuel, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3, considerado o mais severo, necessita de acompanhamento especializado na Apae, onde realiza terapia semanal.
Apesar da importância do tratamento, a família enfrenta dificuldades com o transporte. Segundo Renata, o acesso ao veículo adaptado, que deveria ser fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), tem se mostrado um obstáculo, colocando em risco a continuidade do atendimento.
“Levei o laudo no posto, conversei com a assistência social, mas me disseram que não tinha vaga. Pediram para eu trocar o dia da terapia, só que na Apae eles não trocam os dias das consultas do meu filho”, lamenta Renata.
O laudo médico detalha a complexidade do quadro de Samuel. Além do TEA severo, o menino apresenta laringomalácia, chiado, ausência de linguagem funcional e crises de auto e heteroagressão. O documento enfatiza a necessidade de transporte em veículo exclusivo, acompanhado da família, uma vez que o contato com outras pessoas agrava suas crises.
Renata, que se dedica integralmente aos cuidados do filho, relata o sofrimento de Samuel durante o transporte coletivo. “Ele entra em crise dentro do ônibus, eu não estou conseguindo controlar. Estou pedindo ajuda porque essa vaga é essencial para o tratamento do meu filho”, apela a mãe.
A reportagem buscou um posicionamento da Sesau sobre o caso, mas aguarda resposta. A luta de Renata ressalta a importância do acesso facilitado aos serviços de saúde para crianças com necessidades especiais, garantindo seu bem-estar e desenvolvimento.