A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão preventiva de Fábio Santos Fogaça e Rogério Nascimento da Silva, acusados pela morte da idosa Maria José de Oliveira Beserra em Ribas do Rio Pardo, cidade a 97 quilômetros de Campo Grande. A decisão foi assinada na última quinta-feira (15) pelo juiz de Direito em substituição legal, Francisco Soliman, que também agendou audiência de instrução e julgamento para 5 de novembro deste ano.
No despacho, o magistrado afirmou que a gravidade concreta do fato justifica a manutenção da segregação cautelar. Segundo a decisão, as circunstâncias investigadas apontam planejamento e divisão de tarefas entre os envolvidos, o que, conforme o juiz, extrapola a gravidade inerente ao tipo penal e evidencia maior periculosidade concreta dos agentes. A Justiça constatou a materialidade do crime e indícios de autoria em relação aos acusados.
Maria José foi assassinada com 15 golpes de faca em 28 de junho deste ano e encontrada por familiares na manhã seguinte. O crime teria sido motivado por disputa de herança. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o sobrinho da vítima, de 45 anos, teria pago um carro de aplicativo para o comparsa, de 36 anos, sair de Campo Grande e ir até Ribas do Rio Pardo. Após consumirem bebida alcoólica, o sobrinho teria oferecido R$ 5 mil para matar suas duas tias, com pagamento de R$ 2 mil em espécie no mesmo dia e os R$ 3 mil restantes depois.
O comparsa teria ido à casa da primeira vítima, que não estava no local, e seguido até a residência de Maria José, onde a encontrou dormindo. Ele entrou pelos fundos e desferiu os golpes, que atingiram abdômen, tórax, cervical, ombro, escápula, um seio e o braço direito. A idosa caiu ao lado da cama e morreu pelos ferimentos. Após o crime, ele teria retornado à casa do sobrinho, recebido R$ 2 mil e voltado para Campo Grande. Uma semana depois, ao fazer uma funcionária de uma churrascaria refém no Jardim Tarumã, em Campo Grande, teria confessado o crime.
Em interrogatório policial, o homem de 36 anos negou ter desferido os golpes, alegando que o amigo pagou R$ 2 mil para que ele passasse na frente de câmeras de segurança e aparentasse ser o autor do homicídio. O sobrinho da idosa também negou participação. A denúncia foi aceita pelo juiz de Direito Cesar David Maudonnet, e a prisão do sobrinho foi convertida em preventiva. A autoridade policial solicitou ainda a quebra do sigilo telefônico dele e de sua esposa, referente ao período de 1º de maio a 1º de julho deste ano, pedido aceito pela Justiça. Durante a ação na churrascaria, o homem foi contido após 30 minutos de negociação conduzida por um sargento da Polícia Militar de folga, com apoio de equipes da PM.