O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aprendeu a lição da política durante os últimos anos de ostracismo. Assistindo de camarote os antigos aliados se viabilizando no poder de forma independente, o líder da extrema-direita no país quer “investir” em lealdade para as eleições do ano que vem.
Focado em ter uma maioria no Senado Federal, Bolsonaro tem feito articulações para viabilizar o máximo de nomes eleitos em todos os estados. Em Mato Grosso do Sul, o ex-presidente tem apostado na vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL) para a vaga. Deixando de lado os conselhos da ex-ministra da Agricultura, a senadora Tereza Cristina (PP).
A senadora é uma das ex-aliadas que Bolsonaro tem mandado recado indiretamente nas entrevistas. Ele afirmou recentemente que a sul-mato-grossense “não chegaria onde chegou sozinha”.
Na semana passada, o ex-presidente recebeu Gianni em Brasília (DF). Ao lado do marido, deputado federal Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro (PL), eles conversaram sobre a construção que deve ser feita no Estado.
“É muito cedo ainda, mas o presidente tem feito demonstração de apoio ao nome da Gianni. A orientação é pacificar a direita em Mato Grosso do Sul, trazer um entendimento que as vaidades dentro do partido têm que ser deixadas de lado e realmente pensar em Brasil, como um projeto nacional, para chegar em 2026 com a direita fortalecida em todo o país. Mas que fique bem claro, a escolha para o nome em Mato Grosso do Sul é do Bolsonaro. E o nome que ele escolher, nós vamos acompanhar a decisão”, afirmou Rodolfo.
O parlamentar fez questão de acrescentar que não há desentendimento entre Bolsonaro e Tereza. “A senadora Tereza é uma grande amiga do presidente e uma excelente referência. Não existe essa situação que a imprensa está colocando entre eles”, enalteceu.
Gianni ressaltou que ela e esposo caminham com ex-presidente desde 2014. “Tenho o presidente Bolsonaro como meu líder político, a quem respeito e honro. O Brasil se encontra em um momento difícil e mais do que nunca é necessário cuidado nas próximas eleições, pois temos a chance de virar a chave em nossa nação. Confio plenamente no projeto do presidente Bolsonaro para o Brasil e estou à disposição para lutarmos pelo que acreditamos”, acrescentou.
A meta é lançar dois nomes de peso para a chapa majoritária nos estados tradicionais de direita e conservadores, podendo atingir até 40 senadores eleitos. “Com maioria, o Senado poderá trazer de novo o equilíbrio dos poderes. O presidente passou quatro anos lutando contra os decretos judiciais e não tinha apoio dos senadores. Hoje as leis são afetadas pelo Supremo Tribunal Federal”, endossou Rodolfo.
A reportagem procurou a senadora Tereza Cristina para comentar o assunto. Por meio da assessoria de imprensa fomos informados que a parlamentar estava em trânsito, mas que por questões lógicas, Tereza não disputará 2026 e por isso o apoio de Bolsonaro não estará em questão nas próximas eleições.