A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter a prisão preventiva do delegado de Polícia Civil Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, réu da Operação Infiltrados. A decisão do juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 8ª Vara Criminal de Campo Grande, também rejeitou a conversão da custódia em prisão domiciliar humanitária.
Hoffman é apontado como chefe de um esquema que desviava drogas apreendidas pela polícia para venda por traficantes, com divisão dos lucros. Ele também foi alvo da Operação Ifrits, da Polícia Federal, que investigou o clã Haidar, ligado ao tráfico internacional de armas e drogas. No pedido de revogação, a defesa alegava que a necessidade da prisão teria acabado após o fim das diligências e o oferecimento da denúncia, e que a mudança de lotação funcional do delegado reduziria os riscos de reiteração. O magistrado, porém, entendeu que a gravidade concreta das condutas decorre do uso da própria máquina pública de combate ao narcotráfico e que a nova lotação não diminui os riscos de articulação.
A decisão citou indícios apresentados pelo Ministério Público de que o réu teria adotado condutas para dificultar investigações e ocultar provas ao saber previamente da operação, o que justificaria a custódia por conveniência da instrução criminal. A defesa também pediu medidas cautelares alternativas ou prisão domiciliar por problemas de saúde, mas o juiz considerou não comprovada a extrema debilidade por doença grave nem a impossibilidade de assistência médica adequada no presídio. O magistrado determinou que a unidade responsável garanta o suporte e o tratamento médico necessários.
A Operação Infiltrados teve novo desdobramento nesta quinta-feira (5), quando o Gaeco mirou nove policiais da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira). Os agentes estiveram na casa do delegado Guilherme Scucuglia, que comandou a Defron em 2025 e atualmente está lotado na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos).
A denúncia protocolada na Justiça em 9 de outubro atribui ao delegado e a outros policiais crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de interferência em investigação criminal. O Gaeco pede a condenação dos denunciados e indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O advogado José Roberto Rosa, que defende Hoffman, afirmou que as provas serão questionadas na instrução processual e que a análise integral dos elementos deve demonstrar que o delegado não participou dos ilícitos. Segundo Rosa, há indicações de que pessoas sob seu comando teriam agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele, apenas suposições.