A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que as irregularidades investigadas na Operação Infiltrados II, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), já eram apuradas pela Corregedoria-Geral da corporação há cerca de quatro meses. A apuração interna ocorre por meio de Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).
A operação, deflagrada nesta quinta-feira (5), teve como alvo policiais lotados na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron). Segundo o Ministério Público, os agentes integravam um esquema que desviava cocaína apreendida em operações policiais, retirando a droga durante diligências, dos depósitos da delegacia ou no trajeto para incineração.
O ponto mais crítico do esquema teria ocorrido em setembro de 2025, quando mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição foram desviados e entregues a traficantes. Entre os alvos dos mandados está o delegado Guilherme Scucuglia, que esteve à frente da Defron em 2025 e atualmente está lotado na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf).
As equipes do Gaeco cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná. A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense. Os nove policiais alvo da operação receberam medidas cautelares de afastamento das funções.
De acordo com a Polícia Civil, desde o início da apuração interna foram adotadas medidas administrativas e correcionais, como adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e correição extraordinária na unidade policial. A corporação afirmou que as apurações terão continuidade e que eventuais desvios de conduta serão tratados conforme a lei, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.