Preso com kit para Glock, empresário diz à PF que está desempregado desde 2019

Mamede Alhaj Haidar afirmou ter CNPJ ativo em Ponta Porã, mas declarou renda de R$ 7 mil proveniente de aluguéis e última profissão como gerente [...]

O empresário Mamede Alhaj Haidar, preso em flagrante na quarta-feira (4) durante a Operação Ifrit com um acessório de arma de fogo de uso restrito, declarou à Polícia Federal estar desempregado desde 2019. A informação consta no boletim de vida pregressa elaborado pela PF, no qual ele afirma ter como fonte de renda R$ 7 mil mensais provenientes do aluguel de um imóvel do pai.

Apesar da declaração, os registros empresariais mostram Mamede como titular de um MEI ativo desde 5 de setembro de 2023. A empresa, sediada na Rua Joaquim Pereira Teixeira, 722, Centro de Ponta Porã, tem como atividade principal a lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores, com capital social declarado de R$ 10 mil. O documento não esclarece se o negócio estava em funcionamento ou gerava renda ao investigado.

Segundo o boletim, Mamede disse que sua última profissão foi gerente de um bar em Ponta Porã, em 2019. Ele também informou morar sozinho, pagar R$ 3,5 mil de aluguel e possuir aproximadamente R$ 47 mil em outros bens. O empresário passará por audiência de custódia nesta quinta-feira (5), no Fórum de Campo Grande.

A prisão ocorreu durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em um imóvel na Vila Margarida, quando policiais localizaram um kit de conversão para pistolas Glock dos modelos G17 e G19. Mamede foi indiciado por posse ou porte ilegal de acessório de arma de fogo de uso restrito.

Alvo da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal e pela Receita Federal para desmantelar uma organização criminosa transnacional na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Mamede aparece entre os investigados. Segundo a PF, o grupo atuava principalmente na região entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero e é suspeito de tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. A operação cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul e outros seis estados, e entre os investigados estão policiais civis, militares e um policial rodoviário federal.

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