A Operação Capolinea, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Ficco/MS), foi deflagrada nesta quinta-feira (15) e tem como foco o narcotraficante Gerson Palermo, considerado um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital). A operação abrange ações em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, visando desmantelar um grupo criminoso que transportava drogas em caminhões de minérios, com movimentações financeiras superiores a R$ 24 milhões.
Durante a operação, um vigilante da Polícia Federal Em Corumbá, localizado a 444 quilômetros de Campo Grande, foi preso. Ele é enteado de um dos líderes da organização e estava fornecendo informações sobre a rotina da unidade, além de enviar fotos de apreensões e documentos da delegacia. O vigilante também é acusado de guardar drogas em sua residência e de realizar o transporte de entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, incluindo a carga que foi apreendida em Três Lagoas.
Além de Gerson Palermo e Aguinaldo Chaleira, outros investigados estão sendo alvo da operação. Palermo foi detido em maio na Bolívia, após permanecer foragido por seis anos. Os mandados de prisão foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá, e a Justiça também autorizou a inclusão de três suspeitos que residem fora do Brasil na Difusão Vermelha da Interpol.
Em Corumbá, onde o grupo criminoso opera, quatro pessoas foram presas preventivamente, outras quatro em prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A cidade de Ladário também recebeu ações policiais, com dois mandados de busca e um de prisão temporária. Em outras localidades de Mato Grosso do Sul, como Jataí (GO) e Lagoa da Prata (MG), foram realizados mandados de busca e apreensão.
O transporte da droga realizado pelo grupo se dá pela fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro, na Bolívia. Gerson Palermo é um dos principais nomes do narcotráfico internacional, com um histórico de envolvimento em crimes relacionados ao tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro, além de articular logística entre os dois países.
O narcotraficante possui registros policiais desde o início da década de 1990 e é conhecido por um caso emblemático: o sequestro de um Boeing 727 da Vasp em 2000. Na ocasião, Palermo liderou um grupo que tomou controle do avião após a decolagem em Foz do Iguaçu, exigindo que o piloto pousasse em Porecatu, no Paraná. Durante o sequestro, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil, totalizando cerca de R$ 5,5 milhões. Além disso, ele já havia sido preso em 1991 por tráfico de drogas e condenado a 66 anos e 9 meses por seu envolvimento no sequestro do avião.