A Globo decidiu cancelar o debate agendado para a noite de ontem (1) em virtude de duas notificações judiciais que impactaram as regras do evento, previamente definidas com os candidatos à Presidência da República.
A primeira notificação, assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT. Essa decisão invalidou uma das regras do debate que previa a manutenção de um púlpito vazio e a formulação de perguntas pelos candidatos presentes na ausência de um concorrente.
Conforme as regras acordadas, caso um candidato não comparecesse, o púlpito reservado a ele ficaria vazio, com uma placa de identificação. Além disso, os candidatos presentes poderiam, em uma das rodadas de tema livre, fazer perguntas ao ausente. A decisão da ministra proíbe a exibição do púlpito com o nome de Lula e a formulação dessas perguntas.
A Globo também recebeu uma segunda notificação na mesma noite, que informava uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão atendeu a um pedido do partido Solidariedade para a participação de Renan Santos, do Missão, no debate. A emissora já havia convidado os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) para o evento.
A determinação do ministro Gilmar Mendes assegurou a participação de Renan Santos, mesmo com seu partido possuindo apenas um representante no Congresso Nacional. Essa situação levou a Globo a reavaliar a viabilidade do debate, uma vez que as decisões judiciais recentes geraram insegurança jurídica e questionamentos sobre a liberdade da imprensa na organização de debates eleitorais.
Diante desse cenário, a Globo optou pelo cancelamento do debate. A emissora destacou sua tradição na realização de debates eleitorais e reafirmou seu compromisso em promover a discussão de ideias e a democracia, além de expressar agradecimentos aos candidatos que participariam do evento. A decisão foi tomada em respeito ao público e aos eleitores que esperavam ouvir as propostas dos candidatos para o futuro do país.