A disputa em torno do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ganhou novos desdobramentos com a determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Ele concedeu um prazo de 72 horas para o Ministro André Mendonça se manifestar sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que solicita a suspensão da decisão que afastou Rodrigues de seu cargo.
O despacho foi assinado por Fachin em 8 de setembro, logo após a AGU apresentar um recurso direto à Presidência do STF, buscando a suspensão da liminar que levou ao afastamento do diretor, conforme decidido por Mendonça na Petição 16.662. Fachin determinou que o relator da petição se pronuncie sobre o pedido, antes de levar o processo de volta ao seu gabinete.
Essa movimentação reflete uma nova fase na crise instaurada pela decisão de afastar a liderança da Polícia Federal. O ato de Fachin não indica se ele suspenderá a medida anteriormente adotada por Mendonça, mas abre um espaço para que o ministro apresente suas razões antes que o presidente do STF analise a solicitação do governo.
A AGU, ao formalizar a Suspensão de Liminar 1.946, questiona a legitimidade do Judiciário para afastar o diretor-geral da PF, ressaltando que tal atribuição cabe ao presidente da República, que é responsável pela nomeação do chefe da corporação. Essa questão agora é central na análise que Fachin realizará, levantando debates sobre a separação de poderes e a competência judicial.
Além disso, o pedido da AGU desloca a discussão para um âmbito mais amplo, envolvendo as competências dos diferentes Poderes, e vai além dos fundamentos associados à investigação em si. O despacho emitido por Fachin não revela sua percepção sobre os argumentos apresentados pela AGU, mas requer que Mendonça apresente sua posição em 72 horas, antes que Fachin decida sobre a suspensão solicitada pela União.
Após a manifestação de Mendonça, o processo deverá retornar à Presidência do STF, onde novos desdobramentos sobre a questão do afastamento de Andrei Rodrigues poderão ocorrer. O resultado dessa análise deve impactar a continuidade do afastamento do diretor-geral enquanto a controvérsia é debatida no âmbito judicial. O despacho foi assinado digitalmente por Fachin e representa um movimento significativo na relação entre os poderes Executivo e Judiciário, especialmente em tempos de incertezas políticas.