Na última sexta-feira, 4, o dólar avançou em relação ao real, alcançando R$ 5,13. Essa valorização se deu em meio a dados positivos do mercado de trabalho nos Estados Unidos, divulgados pelo payroll, que intensificaram as especulações sobre um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed) já em setembro. Após quatro dias seguidos de quedas, a moeda americana mostrou um ajuste normal de posições no mercado local, refletindo o acumulado de desvalorização de 1,77% durante a semana.
A leve alta do dólar foi influenciada pela divulgação de uma Pesquisa Datafolha que revelou um empate técnico na corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Lula obteve 46% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro ficou com 44%, criando um ambiente de incerteza entre os investidores. No entanto, um desempenho fraco do real foi notado, fazendo com que a moeda brasileira registrasse um dos piores resultados entre as divisas mais líquidas do dia.
Durante a sessão, o dólar oscilou entre mínimos e máximos, iniciando o dia a R$ 5,1022 e alcançando até R$ 5,1407 antes de fechar em R$ 5,1308, resultando em uma alta de 0,52%. Apesar dessa valorização, o dólar recuou 1,26% na semana e 0,95% nos primeiros dias de setembro, tendo encerrado agosto em alta de 2,16%.
Os investidores demonstraram preocupação com a geração de empregos, superando em três vezes as expectativas, fato que levou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, a afirmar que o ambiente eleitoral está sendo impactado. Ele observou que a crise no Judiciário, especialmente em relação ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que enfrenta desgaste por revelações da Polícia Federal, está influenciando a dinâmica da campanha.
O presidente do STF, Edson Fachin, também sinalizou a intenção de pôr fim ao inquérito das ‘fake news’ que está sob a responsabilidade de Moraes, um elemento que pode favorecer a oposição. Os dados econômicos, como a taxa de desemprego que se manteve em 4,1% e o salário-hora que subiu 0,3%, foram acompanhados de perto pelos analistas do mercado financeiro, que buscam por sinais complementares para a tomada de decisões.
Adicionalmente, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas, superou os 99 pontos, subindo 0,24% no final do dia, enquanto o Dollar Index encerrou a semana com queda em torno de 0,50%. No cenário internacional, o comportamento das moedas é influenciado por expectativas de aperto monetário no Japão e rumores de intervenções cambiais, questões que também afetam as operações de câmbio.