O dólar fechou a sessão de quinta-feira, 3, com uma leve desvalorização, cotado a R$ 5,10. Esse movimento está atrelado ao enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional, influenciado pela diminuição das expectativas de aumento de juros nos EUA para o próximo mês.
Nos últimos dias, o real se destacou como uma das moedas emergentes com melhor desempenho, mas nesta quinta-feira teve um comportamento mais contido. A moeda brasileira vem passando por um processo de acomodação após uma queda significativa, que levou o dólar de R$ 5,19 para R$ 5,10 desde o final de agosto, reflexo das novas expectativas em relação ao cenário eleitoral.
A expectativa pela divulgação da pesquisa Datafolha, que pode indicar um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, foi um fator que movimentou o mercado. Levantamentos anteriores, como a Pesquisa Futura, já apontavam essa proximidade. Analistas acreditam que a revelação de laços entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, pode beneficiar Flávio Bolsonaro nas eleições.
Nicolas Gomes, analista de câmbio da Manchester Investimentos, destacou que o mercado está ajustando suas previsões em um cenário eleitoral mais acirrado, o que poderia implicar uma maior disciplina fiscal em 2027, reduzindo momentaneamente os prêmios de risco. Apesar da apreciação do real, a moeda apresentou oscilações significativas durante o dia.
O dólar à vista registrou mínima de R$ 5,0705 e máxima de R$ 5,1137, finalizando a sessão com uma queda de 0,08%, a R$ 5,1045. Essa foi a quarta sessão consecutiva de desvalorização da moeda, acumulando uma perda de 1,77% na semana e 1,46% nos três primeiros pregões de setembro. Em agosto, o dólar havia se valorizado em 2,16%. O real se posiciona como a segunda moeda emergente com melhor desempenho neste início de mês, superado apenas pelo peso colombiano.
Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Banco Pine, observou um retorno do interesse de investidores estrangeiros por ações brasileiras nos últimos dias de agosto, após uma considerável saída de capital. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras moedas, também apresentou movimento, fechando em 98,831 pontos.