Dólar encerra em R$ 5,10 com pesquisa indicando disputa acirrada entre Lula e Flávio

A moeda americana fechou em queda de 0,92% nesta quarta, 2, após pesquisa mostrar empate técnico entre os candidatos à presidência. O real teve um [...]

O dólar apresentou uma queda significativa nesta quarta-feira, dia 2, registrando o terceiro pregão consecutivo de desvalorização em relação ao real. A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 5,1084, o menor valor de fechamento desde o início de agosto. Apesar de um cenário negativo para várias divisas da América Latina, o real se destacou, apresentando o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, atrás apenas do won sul-coreano.

A queda do dólar foi impulsionada pela divulgação de uma pesquisa da Quaest, que revelou um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva, com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, que obteve 41%. O levantamento surge em um contexto de crescente apreensão sobre a possibilidade de uma vitória da oposição na corrida presidencial, o que, segundo analistas, poderia resultar em uma alteração nas políticas econômicas do país.

Antes da divulgação dos dados da pesquisa, o dólar chegou a operar em alta pontual, mas logo se estabilizou em baixa durante o restante da sessão. O menor valor registrado ao longo do dia foi de R$ 5,0987, e a desvalorização acumulada do dólar nos dois primeiros pregões de setembro já alcança 1,38%. Em agosto, a moeda americana havia registrado uma alta de 2,16%.

Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, comentou que as investigações sobre as ligações de Lulinha, filho do presidente Lula, com uma lobista, juntamente com as revelações sobre a conexão de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, podem impactar negativamente o governo. Velho ressaltou que a valorização do real está atrelada à maior probabilidade de mudança nas políticas econômicas, especialmente fiscais, a partir de 2027, caso a oposição vença as eleições.

No mercado de petróleo, os preços se firmaram em alta ao longo da tarde, impulsionados por incertezas em relação ao conflito no Oriente Médio e ao tráfego no Estreito de Ormuz. O contrato do tipo Brent para novembro subiu 1,04%, alcançando US$ 95,63 o barril. O movimento dos preços do petróleo ocorre após um discurso do presidente Donald Trump, que afirmou que a região está sob total controle dos EUA.

Adicionalmente, um relatório do ADP revelou que o setor privado dos EUA criou 38 mil vagas em agosto, um crescimento abaixo das estimativas de 46,5 mil e o mais lento desde janeiro. Esse dado, juntamente com a divulgação do Livro Bege, que teve pouco impacto no mercado, deixou os investidores em expectativa para o relatório de emprego (payroll) que será divulgado na sexta-feira, dia 4. A expectativa é de que os dados possam influenciar a decisão sobre uma possível alta de juros pelo Federal Reserve, especialmente após declarações de Kevin Warsh no Simpósio de Jackson Hole, que indicaram um endurecimento da política monetária.

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