Casas Bahia obtém proteção judicial e suspende cobranças por seis meses

A Justiça de São Paulo concedeu uma suspensão de 180 dias nas cobranças contra o Grupo Casas Bahia, que enfrenta um passivo de R$ 17,3 [...]

A Justiça de São Paulo decidiu, na última sexta-feira (28), suspender por um período de 180 dias as ações de cobrança e execuções contra o Grupo Casas Bahia. A medida visa facilitar a reestruturação financeira da empresa, que busca a recuperação judicial diante de um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões.

Recentemente, o grupo solicitou a recuperação judicial e, como resultado, fechou 298 lojas, resultando na demissão de aproximadamente 3 mil colaboradores em todo o território nacional. No estado de Mato Grosso do Sul, sete unidades foram impactadas, sendo duas em Dourados e as demais em Três Lagoas, Naviraí, Ponta Porã, Nova Andradina e Campo Grande.

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, alertou que a solicitação de recuperação gerou uma corrida de credores, resultando em bloqueios judiciais que somaram cerca de R$ 9 milhões em um curto espaço de tempo. A decisão judicial, que começou a valer no dia 19, estabelece que o descumprimento pode acarretar uma multa diária de R$ 100 mil.

Com essa proteção, o banco BTG Pactual deve restabelecer, em até 24 horas, o pleno acesso da Casas Bahia às suas contas correntes. Além disso, as operadoras de maquininhas Cielo, Getnet e Redecard foram instruídas a apresentar relatórios contábeis sobre os recebíveis da empresa que estavam retidos, liberar os valores e evitar a constituição de reservas extraordinárias motivadas pela recuperação judicial.

No segundo trimestre deste ano, a Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, o que justificou o fechamento das lojas. A empresa enfrenta uma situação financeira delicada, com dívidas que totalizam R$ 17,3 bilhões. Esse cenário levou ao pedido de recuperação judicial feito no final da noite do dia 16.

A companhia atribui sua crise a um ambiente macroeconômico desfavorável para o varejo de bens duráveis no Brasil, marcado por altos custos de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores. O pedido de recuperação abrange dez empresas do grupo, incluindo as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com e da fabricante de móveis Bartira.

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