A venda da principal garagem do Consórcio Guaicurus, localizada na Avenida Gury Marques, em Campo Grande, está sob investigação judicial, após ser realizada por um valor considerado abaixo do mercado. O autor do processo, Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, alega que a transação foi uma simulação de venda, uma vez que a compradora, Pauma Empreendimentos Imobiliários Ltda., pertence à mesma família que controla o consórcio.
O imóvel, que tem uma área de 40,5 mil metros quadrados e abriga a sede administrativa do Consórcio Guaicurus, estava avaliado nos registros contábeis em R$ 14.405.170,30, sendo que, após a depreciação, seu valor líquido era de R$ 11,1 milhões. No entanto, a garagem foi vendida por apenas R$ 7,7 milhões, conforme a escritura pública anexada ao processo judicial.
O advogado do autor da ação argumenta que a venda realizada sem a devida autorização do município configura fraude. Apesar de ser um ativo privado, a propriedade se tornou essencial para o serviço público de transporte coletivo desde a concessão em 2012, tornando-a um bem reversível ao final do contrato.
Diante disso, o autor solicita à Justiça o bloqueio do imóvel para impedir que os proprietários do Consórcio Guaicurus realizem outras vendas através da Pauma Empreendimentos. Ele também pede a declaração de nulidade da escritura de compra e venda, visando o retorno do imóvel ao patrimônio vinculado à concessão, além do ressarcimento ao erário da diferença entre o valor real de mercado e os R$ 7,7 milhões pagos.
O Consórcio Guaicurus já havia sido alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Campo Grande em 2025, que recomendou sua intervenção. A gestão do consórcio atualmente está sob a supervisão do advogado Alexandro de Oliveira, que lidera a equipe de intervenção. Esta equipe ficará responsável pela administração do conglomerado de transporte por um período de 180 dias, ao final do qual um relatório sobre a situação da concessionária será elaborado para que a prefeita tome uma decisão sobre o futuro do serviço.
Uma das alternativas discutidas é a possível caducidade da concessão, que encerraria o contrato por culpa do Consórcio Guaicurus, permitindo que o município reassuma a responsabilidade pelo transporte coletivo. A prefeitura de Campo Grande também já planeja iniciar um estudo para uma nova licitação, que deve incluir exigências como a instalação de ar-condicionado nos ônibus e a utilização de veículos movidos a gás e biogás.