O enviado especial de Donald Trump para o Brasil, Darren Beattie, teve o visto negado pelo governo brasileiro. A justificativa havia sido apresentada ao Itamaraty para solicitar o visto de Beattie, mas a chancelaria brasileira revogou a concessão usando de um princípio de fraude ou falta de sinceridade no motivo da entrada no país. A inelegibilidade é permanente, e toda vez que o assessor solicitar um visto para entrar no país, ele será considerado inelegível.
O Fórum Brasil-EUA sobre Minerais Críticos está previsto para a próxima quarta-feira e tem apoio institucional do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). Conforme a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, o intuito é discutir oportunidades entre os dois países relacionadas à cadeia de minerais críticos, desde o mapeamento e exploração até o processamento e a agregação de valor, com benefícios para ambas as economias. Entre os confirmados para o fórum estão o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil e representantes do Departamento de Energia e da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA. O nome de Beattie, contudo, nunca esteve na lista.
Escobar, inclusive, esteve no Itamaraty na terça-feira para explicar a visita de Beattie ao Brasil. Ele apontou que o principal motivo para o encontro era justamente o evento sobre minerais críticos, em São Paulo. Paralelamente, Beattie havia pedido autorização ao Supremo Tribunal Federal para se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, na próxima semana. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes permitiu o encontro, mas voltou atrás após o Itamaraty dizer que a reunião não havia sido comunicada formalmente por autoridades diplomáticas americanas. Nessas circunstâncias, houve o entendimento de que o encontro poderia ser interpretado como interferência estrangeira em assuntos internos do país, especialmente por se tratar de ano eleitoral.
A Coluna da Basília mostrou que, após Moraes barrar o encontro, o enviado especial de Trump enviou um e-mail e mensagens pelo WhatsApp, via embaixada dos Estados Unidos no Brasil, para saber a disponibilidade do Itamaraty em recebê-lo. A comunicação excessivamente informal foi mal-recebida pela chancelaria brasileira. Mais cedo, o próprio presidente Lula disse que proíbe a vinda de Beattie ao Brasil enquanto o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não for regularizado pelos Estados Unidos.
