Uso de emagrecedores importados pode prejudicar saúde de crianças

A administração de canetas emagrecedoras sem supervisão médica traz riscos à saúde, especialmente em crianças, podendo atrasar a puberdade e causar infecções. Caso em Mato [...]
Foto: Fiscalização encontrou canetas e ampolas de retatrutida e tizerpatida, das

O uso de canetas emagrecedoras tem se tornado comum no Brasil, com diversas marcas disponíveis, inclusive importadas. Contudo, esses medicamentos devem ser prescritos exclusivamente por médicos especialistas, especialmente para o tratamento de obesidade e diabetes. Infelizmente, muitos indivíduos fazem uso desses produtos sem a devida orientação profissional, recorrendo a itens não regulamentados para venda no país.

Na última quinta-feira (7), uma denúncia chamou a atenção para um caso em Mato Grosso do Sul, onde uma criança de 11 anos recebeu injeções de um emagrecedor aplicado pela avó e pelo tio. De acordo com o boletim de ocorrência, a menina foi “medicada” com duas doses de 2,5 mg do produto Lipoless, cuja comercialização é proibida no Brasil.

O médico endocrinologista Ben Hur, especializado em Nutrologia, alerta sobre os riscos associados ao uso desses medicamentos em crianças, que ainda estão em fase de desenvolvimento. Ele destaca que o organismo infantil está em um momento crítico de maturação hormonal e metabólica, onde o equilíbrio na ingestão de proteínas e micronutrientes é essencial para o crescimento saudável.

Ben Hur explica que as canetas emagrecedoras atuam de forma complexa sobre hormônios e receptores no corpo. O uso inadequado desses medicamentos pode resultar em doses erradas, levando a sérias complicações como hipoglicemia severa, desidratação, distúrbios eletrolíticos e problemas cardiovasculares. Além disso, a perda de peso promovida por esses produtos pode reduzir a massa muscular, elemento vital para a saúde geral.

Os produtos que não possuem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentam riscos adicionais, como a possibilidade de contaminação ou falsificação de suas composições. Isso pode resultar em intoxicação, hipoglicemia grave, infecções e outras complicações neurológicas e cardiovasculares imprevisíveis.

Para as crianças, o impacto do uso dessas canetas pode ser ainda mais alarmante, uma vez que pode atrasar o crescimento e o início da puberdade, além de comprometer a saúde a longo prazo. O endocrinologista ressalta que, por se tratar de uma liberação recente, a prescrição para menores de 10 anos deve ser acompanhada de uma avaliação rigorosa e cuidadosa, especialmente considerando a incerteza sobre a procedência das substâncias utilizadas.

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