A União Europeia confirmou que assinará o acordo de livre-comércio com o Mercosul no próximo sábado, encerrando uma das mais longas e complexas negociações comerciais da história recente. O tratado que envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores. A Comissão Europeia argumenta que o tratado é estratégico para fortalecer a competitividade da indústria europeia.
O acordo é visto como uma oportunidade histórica de ampliar o acesso a um mercado de alto poder aquisitivo, com redução gradual de tarifas sobre a maior parte das exportações ao longo de até 15 anos. O entendimento também prevê regras sobre compras governamentais, propriedade intelectual e compromissos ambientais, ponto sensível nas negociações e central nas críticas de ambientalistas europeus.
A assinatura do tratado, no entanto, não significa sua entrada imediata em vigor. O texto ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, posteriormente, pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. Até a conclusão dessas etapas, o acordo permanece como compromisso político, sujeito a debates internos e eventuais obstáculos legislativos.
A decisão de avançar com a assinatura é interpretada como um gesto político relevante da UE em defesa do multilateralismo e da abertura comercial, após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses, recuos e reviravoltas.